Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

São Caetano confirma que vai recorrer da decisão do STJD

Terça, 07 de Dezembro de 2004 às 17:43, por: CdB

O São Caetano confirmou na terça-feira que vai recorrer da decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) de retirar 24 pontos da equipe no Campeonato Brasileiro pela escalação irregular do zagueiro Serginho, morto em outubro após desmaiar durante um jogo contra o São Paulo.

No julgamento, que terminou na madrugada de terça-feira, o STJD decidiu por unanimidade, com 4 votos a favor, retirar os pontos do São Caetano e suspender o médico Paulo Forte e o presidente Nairo Ferreira por quatro e dois anos, respectivamente. A equipe terá ainda que pagar uma multa de 50 mil reais.

A apelação deve ser apreciada no STJD na próxima segunda-feira.

O testemunho que mais chamou atenção foi o do ex-médico do Corinthians, Joaquim Grava. Apesar de ter sido convocado pela defesa, ele foi o primeiro a colocar a equipe do ABC em situação delicada, afirmando que o clube deveria ter prezado pela saúde do jogador.

"Apesar da arritmia, que não era um fator impedidor, o departamento médico do clube tinha o dever legal de zelar pela saúde dos atleta", disse em seu depoimento.

Depois foi a vez do patologista da Universidade Federal de São Paulo Bene Smith, que após analisar os exames do atleta, disse que Serginho "tinha três problemas no coração que poderiam causar o mal súbito."

Após as quase nove horas de julgamento, o advogado do clube, João Zanforlin, acabou traído por seu discurso durante entrevista com os repórteres, e deixou escapar que o clube já pensava em aposentar Serginho.

"O São Caetano em breve entraria com um pedido de aposentadoria do Serginho por invalidez, e o encaixaria em alguma outra atividade no clube", disse.

Em seus depoimentos, Nairo Ferreira e Paulo Forte voltaram a responsabilizar o Instituto do Coração (Incor) pela morte do jogador, reafirmando que os exames realizados por Serginho em fevereiro não foram repassados ao clube.

Porém, os dois acusados entraram em contradição, com o médico afirmando ter informado o presidente sobre a arritmia cardíaca de Serginho, e o presidente negando essa informação.

"Depois dos exames, Serginho passou a ser cliente do Incor. Não tenho autonomia para vetar ou dar condição para um jogador, porque isso cabe ao departamento médico", disse Ferreira.

Já Forte disse: "Tenho certeza de que foi uma fatalidade, que não foi decorrência da arritmia discreta detectada no exame. Nunca houve recomendação para que o Sérgio parasse de jogar. Não há nenhum documento em poder do São Caetano que justificasse isso".

O procurador Murilo Kieleng, autor da denúncia, mostrou-se satisfeito com a decisão do tribunal e declarou que a questão envolvendo o Incor será debatida na justiça comum.

"Trouxeram estrelas, pessoas que não leram o processo. Os fatos são incontroversos. O Incor é referência, o atleta e o méd

Tags:
Edições digital e impressa