Rio de Janeiro, 27 de Agosto de 2026

Santos reconhece a existência de conflito armado

Quinta, 05 de Maio de 2011 às 10:04, por: CdB

Com afirmação, o presidente se distancia ainda mais de Álvaro Uribe

 

05/05/2011

 

Telesur

 

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, admitiu pela primeira vez a existência de um conflito armado, a propósito da iminente aprovação da Lei de Vítimas da Violência pelo Congresso. A postura o distancia da assumida durante oito anos pelo ex-mandatário Álvaro Uribe, que sempre negou que existisse uma guerra civil no país sul-americano, somente ações de "terroristas".

A afirmação do presidente se deu no final de um Conselho de Segurança realizado no município de Tumaco, no departamento de Nariño (sudoeste). "Há tempos há um conflito armado aqui neste país", insistiu Santos.

O conceito é um dos fundamentos da nova normativa, que será submetida à quarta e última discussão nesta quinta-feira (05) no Senado. Com a aprovação desta lei, o governo colombiano pretende reparar o dano causado à população pela violência de guerrilhas, grupos paramilitares e grupos criminosos que operam no país.

Depois da reunião realizada na Casa de Nariño entre o presidente Juan Manuel Santos e porta-vozes dos partidos de Unidade Nacional, ficou decidido incluir a nova postura na iniciativa, a fim de evitar que a reparação às vítimas alcance pessoas afetadas por delinquência comum.

 As palavras de Santos supõem um distanciamento em relação a seu antecessor no cargo, Álvaro Uribe, que durante seus oito anos de governo negou a existência de um conflito armado no país.

Ao saber das impressões do presidente colombiano, Uribe afirmou por meio de seu Twitter: "Não pode ser que a lei reconheça conflito com terroristas narcotraficantes, que atentam contra a democracia (...) Não há razão legal para vincular a reparação de vítimas com o reconhecimento de terroristas".

O ex-mandatário considerou que esta denominação supõe "legitimar" os grupos armados e reconhecê-los "como ator político". "Os terroristas não reúnem elementos para status de beligerância. Por que lhes abrem esta porta?", questionou.

No entanto, vários membros da coalizão de Unidade Nacional defenderam a posição e justificaram a necessidade de reconhecer o conflito armado.

O senador conservador Hermán Andrade destacou que o reconhecimento do conflito no terceiro artigo da lei "é histórico porque o presidente [Álvaro] Uribe sempre rechaçou isso e poderia gerar uma polêmica", assegurou.

Por sua vez, o próprio proponente de "la U", o senador Roy Barreras, garantiu que no caminho da "reconciliação" existe a "necessidade" de que "todas as partes cedam".

Fontes próximas à Casa de Nariño asseguraram que a aceitação legal de que há um conflito armado na Colômbia não pretende gerar uma controvérsia política, nem sequer jurídica, mas sim fechar a porta ao risco de pedidos para uma reparação coletiva de vítimas de delitos comuns, os quais, entre outras consequencias, teriam um grave impacto fiscal para o país.

A decisão chama a atenção em razão de uma aparente contradição. Enquanto que, de um lado, atende ao reiterado pedido de uribistas de evitar um grande impacto fiscal com a aprovação da lei, por outro lado nega um dos principais pontos da doutrina uribista: a existência de um conflito armado.

O uribismo tem defendido que, na Colômbia, o que existe é uma atividade de grupos "terroristas", difundida, entre outras razões, do conceito que se estendeu pelo mundo depois do atentado de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas, em Nova York.

 

 

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