Alessandro Yara Rossi
Especial para o site da FPF
Aarão Alves, atual técnico do Jabaquara, tem apenas 36 anos, mas uma vasta experiência no futebol, principalmente na cidade de Santos. Filho do ex-ponta-direita Manoel Maria, que atuou ao lado do estrelar time nos anos 60, comandado por Pelé, Pepe, Coutinho e companhia, uma verdadeira seleção brasileira. Aarão era lateral-esquerdo e tentou seguir os passos do pai como atleta no próprio Santos, onde jogou nas categorias de base, mas só se profissionalizou na Portuguesa encerrando a carreira com apenas 22 anos, em razão de uma proposta de emprego para ganhar maior estabilidade financeira na empresa de um tio.
No começo do ano de 2002, Aarão aceitou um projeto na escolinha de futebol que seu pai era dono, por onde passou o também ex-lateral-esquerdo do próprio Santos, Paulo Robson, que hoje é auxiliar técnico de Giba no Guarani. Graças a este trabalho, pegou gosto pela profissão e em 2005 ganhou a sua primeira oportunidade como treinador: nas categorias de base do Jabaquara.
Em 2006 teve o maior desafio nesta área: comandou simultaneamente as divisões sub 15 e sub 17 do Litoral FC e também o sub 20 do Jabaquara, por um ano. Posteriormente assumiu somente o profissional do Jabaquara e por pouco não obteve o acesso à Série A3.
Depois, em 2008, trabalhou com sucesso nas categorias de base do Paulista de Jundiaí e no ano seguinte dirigiu o time principal, onde obteve o vice-campeonato da Copa Paulista de Futebol. Graças a isso permaneceu para a disputa da Série A1 em 2010, porém foi demitido na décima rodada. No segundo semestre aceitou novamente o projeto à longo prazo do Jabaquara, com intuito de recolocar o tradicional clube santista nas principais divisões do futebol paulista.
FPF: Por quê você desistiu cedo da carreira de jogador?
Alves: Acho que faltou um pouco de empenho, iria ter meu primeiro filho e infelizmente não aconteceu como imaginava esta carreira de jogador e preferi trabalhar na empresa do meu tio. Lógico que eu jogava, mas no time do bairro, nada sério.
FPF: Como foi comandar três times no mesmo período?
Alves: Era cansativo, uma rotina alucinante, mas em compensação aprendi bastante, já que são três times, mas todas com filosofias e modo de jogos totalmente diferentes. Em um ano ter passado tudo isso me deixou orgulhoso.
FPF: A sua melhor fase na carreira foi no Paulista?
Alves: Sem dúvida, apesar de possuir bons trabalhos na Baixada Santista, este foi marcante, já que ninguém esperava a minha efetivação para comandar o time na Copa Paulista e com um elenco repleto de jovens atletas, a perspectiva era não passar da primeira fase, porém felizmente foi ao contrário e terminamos a primeira etapa de forma invicta. Depois avançamos de fases até perdermos na final diante do Votoraty.
FPF: Desta campanha, qual jogo ficou marcante para você?
Alves: Tivemos jogos memoráveis nesta época. Nas quartas de final enfrentamos o Sertãozinho, que era comandado pelo José Carlos Serrão, empatamos o primeiro jogo em casa e vencemos por 3 a 2 o segundo no estádio deles que se encontrava lotado. Outro marcante quando passamos pelo Botafogo, que também possuía uma equipe forte e mais experiente que a nossa.
FPF: Mas no geral, não existe uma ponta de frustração pelo vice-campeonato?
Alves: Não posso esconder que fiquei triste com a perda, mas analisando friamente a nossa campanha foi excelente, entramos desacreditados e conseguimos um grande feito.
FPF: Nesta equipe jovem que você montou no Paulista, quem era o principal destaque?
Alves: O Barboza que é atacante estava largado nas categorias de base, subi ao profissional e se tornou artilheiro da Copa Paulista daquela edição, depois jogou no Guarani e agora disputa a Série B pelo ABC (RN).
FPF: Qual é o seu estilo na conduta de comandar uma equipe?
Alves: Tem que ter disciplina, independentemente do nível técnico da equipe, nunca piorar o ambiente do elenco. Lógico que sempre cobro os atletas, mas o relacionamento tem que ser agradável.
FPF: A sinceridade é essencial para que o trabalho tenha sucesso?
Alves: É fundamental. Nunca invente desculpas ao atleta quando vai substituí-lo. O maior exemplo disso aconteceu em 2009 com o Thiago, que era lateral-direito titular no Paulista, mas ele se machucou e o Welder que hoje joga no Corinthians, já havia sido titular e estava na reserva por indisciplina, ganhou mais uma oportunidade e obteve grande destaque. O Thiago respeitou esta decisão pela minha sinceridade, conversei bastante com ele, tanto que atualmente é meu atleta no Jabaquara.
FPF: Você projeta um trabalho vitorioso no Jabaquara?
Alves: Com muito trabalho, força de vontade e a longo prazo tenho certeza que iremos alcançar os nossos objetivos na próxima temporada. Eu acredito e por isso espero continuar com este planejamento que traçamos.