Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Santa Marta: deu rato Na Sala do Sino

Sexta, 13 de Maio de 2011 às 00:31, por: CdB

Por Agência de Notícias da Favela 10/05/2011 às 15:31

Ontem cheguei no Santa Marta 6 e meia para ouvir o barulho da banda na Sala do Sino.

09 de maio de 2011

Ontem cheguei no Santa Marta 6 e meia para ouvir o barulho da banda na Sala do Sino. Lá embaixo, na praça, vi um cardume de belas moças bebendo cerveja no isopor do camelô. Cheirosas e preparadas para a night. Cheguei a cogitar a hipótese de que o grupo pretendesse o mesmo evento que eu. Subi um pouquinho o morro e soube que o show era as nove. Bom, aproveito para tentar (re)conhecer a comunidade ?pacificada?(com todas as aspas possíveis ? um dia antes a Polícia Federal roubava o transmissor da rádio comunitária autorizada pela Prefeitura). Fui até o ponto do teleférico e apreciei a vista da enorme fila de turistas e nativos para subir de bonde. Mas a correnteza das preparadas, o fluxo de estrangeiros àquele lugar, levou-me em direção a quadra da escola de samba. A rua em frente, tomada de gente. Muita Gente. Pessoas muito parecidas umas com as outras. Estranho. Senti-me um estrangeiro dentro de um grupo de estrangeiros estranhos. Era outro evento no morro. Um show de pagode na quadra. Os rapazes: fortinhos de academia e blusas curtas; as patricinhas, lindas, pareciam de cerâmica. ?Bochechinha rosa e cabelo que voa?. Todos eles enfrentavam uma enorme fila para conseguirem o idêntico bracelete verde florescente. O morro tá bombando de eventos. A igreja está liberada. O baile está proibido.

Ah é, comecei a escrever para falar da surpresa, quer dizer, da música, digo, do espetáculo que participei. Há muito já paquerava isoladamente mas ontem conheci o coletivo. Na Sala do Sino surpreendeu-me. Em Cena. Já havia escutado músicas, lido poemas, assistido vídeos. A boa arte não acontece assim tão simples como em vídeo ou cd. Escuto o cd, dá uma idéia: tipo de música, tecnicamente, proposta da banda. A gente entende. Mas saber é sentir o sabor. É no momento oportúnico que a Arte se manifesta. Ela é a Festa! Esquenta o público com a vibração. A guitarra feroz constrói e destrói. Escreve de giz, apaga, escreve outra coisa. Do baião ao rocknroll com sutileza. Naturalidade de quem engole a caça e bebe ácido-híbrido. Antropocomida.

Na Sala do Sino no palco. Digo, Em Cena. Vivendo a íntegra. Entregando tudo. Entorpecendo o ritmo. Mudando o cabo. Combinando o som como se respira: sem pensar no combinado. Inspirando poemas. Incrementando Ratos.

Missão: o inter-dito. Desinterditar o diálogo. Trocar de igual para igual. Cada um com seu cada qual. Cada qual com seus para ondes. Trocando. Não é doação, é troca. Clamando o toque. Lembrando que arte arde. Tocando. Mexe na ferida. O baile funk proibido. Só o tecladinho. O pagode-pulseirinha cheio de playboy. A Leitura. O salário. O baixo. Chegou a cidadania. Vão ter que pagar água e luz. Baterabateraterabatera. Não tem água ainda mas já tem que ir pagando. Poesia. Olha que beleza: o valor do seu imóvel triplicou! Gooooool!!!!

URL:: http://www.anf.org.br/2011/05/santa-marta-deu-rato-na-sala-do-sino/

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