A Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte voltou a sua normalidade depois do susto e do tumulto vividos no último fim de semana.
Na noite da última sexta-feira, vários equipamentos hospitalares da empresa alemã Siemens foram retirados da Santa Casa por força de liminar expedida pela Justiça do Rio de Janeiro em favor da empresa. A Santa Casa deve à empresa R$ 3,4 milhões referentes a 30% do valor de uma compra de equipamentos realizada há seis anos.
Durante o dia da última segunda-feira, técnicos da empresa alemã terminaram de montar os dois últimos aparelhos que ainda permaneciam sem condições de uso após a remoção de sexta-feira.
Nesta terça-feira, deve começar o reagendamento dos exames de mamografia, cerca de 30 a 40 por dia, e de radioscopia (raio X de contraste no aparelho digestivo), cerca de dez por dia. Apenas os pacientes que não foram localizados para desmarcar o procedimento fizeram exames de radioscopia ontem.
As pacientes que deveriam ser submetidas à mamografia foram encaminhadas para clínicas credenciadas, na região hospitalar. As que preferiram esperar para que o exame pudesse ser realizado na Santa Casa foram orientadas a aguardar contato para reagendamento.
- Enquanto os equipamentos estão sendo remontados, vamos utilizando os aparelhos antigos para fazer os exames. O problema é que, além de não oferecerem a mesma qualidade de imagem, eles tornam os procedimentos mais lentos. Exames que, nos equipamentos sofisticados, levam 10 minutos, podem chegar a 40 minutos nos equipamentos antigos - explicou o radiologia, Hilton Lobato.
De acordo com os técnicos da Siemens, que não quiseram se identificar, nenhum aparelho foi danificado durante o processo de desmontagem.
Na sexta-feira, depois de horas de tumulto e da resistência de médicos e funcionários da instituição à retirada dos aparelhos, imprescindíveis para o funcionamento do hospital, o cumprimento da ordem de busca e apreensão foi revogado, na madrugada de sábado, por ordem do juiz de plantão do Fórum Lafayette, Newton Teixeira Carvalho.
Segundo a ouvidoria da Santa Casa, mesmo assim cerca de 80 procedimentos deixaram de ser realizados durante o fim de semana.
Com um passivo de R$ 200 milhões, a Santa Casa enfrenta pressões de todos os lados. Amanhã, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Sindeess) de Belo Horizonte apresenta, a partir das 15 horas, em audiência pública da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa, denúncias com relação ao atraso no pagamento de salários.
- Os salários vem sendo pagos de forma parcial, o que é uma falta responsabilidade - reclama o presidente do sindicato, Roberto Antônio Verônica.
Conforme o ouvidor da Santa Casa, Manoel Hygino dos Santos, a instituição enfrenta uma grave crise financeira devido à desatualização da tabela do SUS, que responde por cerca de 70% dos atendimentos do hospital.
- Diante das dificuldades, temos de estabelecer prioridades. Já fizemos o pagamento dos salários de julho daqueles que ganham até R$ 450. Os que ganham acima de R$ 450 receberam um adiantamento desse valor. Para efetuarmos o pagamento do restante, dependemos de repasses dos convênios, que devem chegar ainda nesta semana - afirmou o ouvidor.
Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte volta a funcionar normalmente
Segunda, 11 de Agosto de 2003 às 21:57, por: CdB