Rio de Janeiro, 02 de Abril de 2026

Sanguessuga entrega mais dois parlamentares corruptos

O empresário Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam, prestou depoimento aos integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas, na Polícia Federal. (Leia Mais)

Quinta, 03 de Agosto de 2006 às 10:04, por: CdB

O empresário Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam, prestou depoimento aos integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas, na Polícia Federal. De acordo com o presidente da comissão, Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), Vedoin derruba a argumentação de alguns parlamentares de que não teriam conhecimento sobre o esquema de fraudes com verbas para a saúde.

- Ele dá elementos que comprovam que em inúmeros casos os assessores recebiam vantagens com pleno conhecimento dos parlamentares. As defesas apresentadas por alguns parlamentares querem jogar a responsabilidade exclusivamente nos assessores quando sabemos que isso não resiste a uma comprovação efetiva - disse Biscaia, que acompanhou a primeira parte do depoimento.

Nova lista

Em seu depoimento, Vedoin ampliou as acusações contra 92 parlamentares já citados no esquema da compra de ambulâncias superfaturadas e acrescentou provas contra outros que receberam propina em dinheiro, além de citar dois novos deputados como participantes da máfia das ambulâncias. Luiz Antônio é sócio de Darci Vedoin na Planam, empresa suspeita de pagar propina para os parlamentares apresentarem emendas ao Orçamento propondo a compra de ambulâncias para prefeituras.

Os dois novos parlamentares citados, segundo o vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), não estavam nas listas já em posse da CPI e deverão ser notificados após a divulgação do primeiro relatório da comissão, prevista para a próxima semana, juntamente com outros dois cuja participação foi descoberta nesta semana --Philemon Rodrigues (PTB-PB) e Salvador Zimbaldi (PSB-SP).

Jungmann disse ainda que, com o depoimento de Luiz Antônio, agravou-se a situação dos senadores investigados, sempre citar nomes. Três senadores estão supostamente envolvidos no esquema: Ney Suassuna (PMDB-PB), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PL-ES). Eles negam e já apresentaram defesa à CPI.

O empresário apresentou ainda o nome de testemunhas que podem comprovar que parlamentares receberam dinheiro vivo como pagamento de propina. Como não havia comprovante destes depósitos, a CPI considerava difícil punir estes congressistas.

Ainda segundo relato de Luiz Antônio à CPI, os parlamentares que acusavam os assessores de receber, por conta própria, dinheiro da máfia dos sanguessugas, agiam com o conhecimento dos congressistas.

O presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), classificou o depoimento do empresário como elucidativo, detalhado, firme e verossímil.

O juiz Jefferson Schneider, da Justiça Federal de Cuiabá, no Mato Grosso, determinou que Luiz Antônio comparecesse ao depoimento sob pena de voltar a ser preso. Ele está solto após se beneficiar da delação premiada.

Corrupção

O depoimento do empresário Luiz Antônio Vedoin à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas vai possibilitar o mais completo e documentado levantamento já feito no país sobre corrupção, disse o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), integrante da comissão:

- Primeiro, porque fecha as conclusões a respeito dos parlamentares envolvidos. Segundo, porque abre o futuro capítulo definitivamente, que é sobre o Executivo e sobre as prefeituras.

Jungmann adiantou que Vedoin seria questionado sobre os indícios de um novo ministério envolvido no esquema de fraudes por meio de emendas do Orçamento da União.

- Ele também vai ser indagado a respeito de outros esquemas nos mesmos ministérios, de outras empresas que participam desse mercado. Vamos querer saber também o esquema de liberação geral das emendas e compreender como ele funciona - disse, pouco antes do início do depoimento.

A CPI deve apresentar o primeiro relatório parcial na próxima quinta-feira.

Mais suspeitos

À tarde, os sub-relatores da CPMI começaram a ouvir 30 assessores de 30 parlamentares acu

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