O empresário Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam, prestou depoimento aos integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas, na Polícia Federal. De acordo com o presidente da comissão, Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), Vedoin derruba a argumentação de alguns parlamentares de que não teriam conhecimento sobre o esquema de fraudes com verbas para a saúde.
- Ele dá elementos que comprovam que em inúmeros casos os assessores recebiam vantagens com pleno conhecimento dos parlamentares. As defesas apresentadas por alguns parlamentares querem jogar a responsabilidade exclusivamente nos assessores quando sabemos que isso não resiste a uma comprovação efetiva - disse Biscaia, que acompanhou a primeira parte do depoimento.
Nova lista
Em seu depoimento, Vedoin ampliou as acusações contra 92 parlamentares já citados no esquema da compra de ambulâncias superfaturadas e acrescentou provas contra outros que receberam propina em dinheiro, além de citar dois novos deputados como participantes da máfia das ambulâncias. Luiz Antônio é sócio de Darci Vedoin na Planam, empresa suspeita de pagar propina para os parlamentares apresentarem emendas ao Orçamento propondo a compra de ambulâncias para prefeituras.
Os dois novos parlamentares citados, segundo o vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), não estavam nas listas já em posse da CPI e deverão ser notificados após a divulgação do primeiro relatório da comissão, prevista para a próxima semana, juntamente com outros dois cuja participação foi descoberta nesta semana --Philemon Rodrigues (PTB-PB) e Salvador Zimbaldi (PSB-SP).
Jungmann disse ainda que, com o depoimento de Luiz Antônio, agravou-se a situação dos senadores investigados, sempre citar nomes. Três senadores estão supostamente envolvidos no esquema: Ney Suassuna (PMDB-PB), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PL-ES). Eles negam e já apresentaram defesa à CPI.
O empresário apresentou ainda o nome de testemunhas que podem comprovar que parlamentares receberam dinheiro vivo como pagamento de propina. Como não havia comprovante destes depósitos, a CPI considerava difícil punir estes congressistas.
Ainda segundo relato de Luiz Antônio à CPI, os parlamentares que acusavam os assessores de receber, por conta própria, dinheiro da máfia dos sanguessugas, agiam com o conhecimento dos congressistas.
O presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), classificou o depoimento do empresário como elucidativo, detalhado, firme e verossímil.
O juiz Jefferson Schneider, da Justiça Federal de Cuiabá, no Mato Grosso, determinou que Luiz Antônio comparecesse ao depoimento sob pena de voltar a ser preso. Ele está solto após se beneficiar da delação premiada.
Corrupção
O depoimento do empresário Luiz Antônio Vedoin à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas vai possibilitar o mais completo e documentado levantamento já feito no país sobre corrupção, disse o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), integrante da comissão:
- Primeiro, porque fecha as conclusões a respeito dos parlamentares envolvidos. Segundo, porque abre o futuro capítulo definitivamente, que é sobre o Executivo e sobre as prefeituras.
Jungmann adiantou que Vedoin seria questionado sobre os indícios de um novo ministério envolvido no esquema de fraudes por meio de emendas do Orçamento da União.
- Ele também vai ser indagado a respeito de outros esquemas nos mesmos ministérios, de outras empresas que participam desse mercado. Vamos querer saber também o esquema de liberação geral das emendas e compreender como ele funciona - disse, pouco antes do início do depoimento.
A CPI deve apresentar o primeiro relatório parcial na próxima quinta-feira.
Mais suspeitos
À tarde, os sub-relatores da CPMI começaram a ouvir 30 assessores de 30 parlamentares acu