Duas bandas de funk lançam discos em dezembro. Apesar de estarem sob o mesmo telhado, soam bem diferente. E os dois, por sua vez, não devem ser confundidos com o tal funk "pancadão", de qualidade e criatividade questionável. A primeira banda é o Funk Como Le Gusta e a segunda é a estreante Funk-U.
O FCLG lançou o primeiro disco em 99, Roda de funk, que definitivamente está entre os três melhores discos dos anos 90. O segundo disco, Funk Como Le Gusta, foi gravado de novembro de 2002 até agosto deste ano. Ou seja, foram quase dois anos. Diferente do primeiro trabalho, esse não traz participações especiais (Roda de Funk trouxe Sandra de Sá, Fernanda Abreu, Black Alien, Speed). E da formação original, só é sentida a ausência de Paula Lima, que saiu em carreira solo.
O Funk-U traz uma perspectiva sonora bem diferente do FCLG. Enquanto a primeira faz um som mais voltado para o instrumental, o Funk-U apresenta canções nas 13 faixas (sendo uma um remix) de seu disco de estréia, Naipe. O apelo comercial que inexiste no FCLG e acaba se caracterizando como seu charme, é obrigatório no Funk-U. Porém, nem sempre a banda consegue acertar no tom, fazendo de Naipe um disco com pouca maturidade e com um repertório meio canhestro. Os músicos sãos bons, mas certas composições parecem trilha sonora de novela. A banda é apadrinhada por Cassiano, que anda sumido...
Apesar de ambos os grupos serem radicalmente contrários ao simulacro de funk instituído pelos tais Bailes Funks da vida, seus dois discos são uma prova de como o funk acabou se tornando um gênero musical que está sempre associado a temas nostálgicos. O Funk-U é apadrinhado pelo Cassiano, um nome de proa de uma escola em declínio, ou submersa em pequenos focos, sem publicidade. O FCLG bebe em fontes que vão desde Kool & The Gang a Jorge Ben. Apesar de tudo, as duas bandas mostram que o funk está vivo, pelo bem ou pelo mal.