Está suspenso a partir desta terça-feira, em Salvador, o atendimento, em estabelecimentos médicos da rede privada, a pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi aprovada por unanimidade na noite desta segunda-feira, após reunião com representantes das secretarias Estaual e Municipal de Saúde, e alcança cerca de 300 hospitais e clínicas particulares da capital baiana.
Conforme o presidente da Associação dos Hospitais e Serviços de Saúde da Bahia (AHSEB), Marcelo Britto, a suspensão no atendimento foi a forma encontrada para pressionar o governo a rever corte em 25% na cota de atendimentos, determinado em maio deste ano.
— Houve uma redução acentuada no teto dos atendimentos estabelecida pela secretaria. A população tem procurado as unidades privadas em busca dos serviços médicos, mas não pode ser atendida em razão desse corte, além do congelamento nos valores repassados pelo SUS que temos enfrentando há mais de 10 anos — disse.
Conforme Britto, todas as vezes que uma unidade é credenciada pelo SUS, recebe uma ficha determinando o limite financeiro para a prestação do serviço. À medida em que esse limite é atingido, a unidade fica impedida de manter o atendimento, sob pena de não receber pelo serviço excedente.
— Essa redução em 25% tem gerado desassistência à população, num momento em que as unidades públicas enfrentam dificuldades para fazer frente à demanda. As unidades privadas que seriam a última via de escape estão tendo uma limitação maior — reclamou.
Com a suspensão nos atendimentos, somente as unidades na área de ortopedia, por exemplo, deixam de fazer mais de 10 mil procedimentos por dia em Salvador.
O secretário estadual de Saúde, Jorge Solla, acenou com a possibilidade de reavaliar a situação e apresentar uma nova propostas, mas somente a partir do próximo dia 15. Já o secretário municipal de Saúde, Carlos Alberto Trindade, chegou a anunciar um acordo com o Sindicato dos Hospitais, Estabelecimentos e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (Sindhosba) e a AHSEB, que asseguraria a prestação de serviço, o que não foi confirmado pelas duas entidades.
Trindade anunciou também a abertura de processo de licitação, em 30 dias, para contratação de serviços do setor privado (clínicas, hospitais e empresas de saúde). — Não sei o é pior, suspender o atendimento de vez ou dizer ao paciente que não podemos atendê-lo porque a nossa cota mensal acabou — desabafou o presidente do Sindhosba, Raimundo Correia.