Um dos mais conhecidos cartões-postais de Salvador, o Elevador Lacerda, completa nesta segunda-feira 130 anos de construção. Tido como uma obra única em seu estilo, incrustado numa rocha e ligando os dois planos da cidade, o ascensor não passa despercebido, seja por terra, ou por quem navega na Baía de Todos os Santos.
Sua importância já não se restringe à missão original de servir à população apressada, que trafega por ele, ou de simplesmente acolher quem deseja uma visão privilegiada da cidade. O elevador faz em cerca de 20 segundos a viagem entre os 72 metros que separam as cidades Alta e Baixa.
Junto com a reforma, no ano passado, o elevador ganhou um posto de turismo para orientar os visitantes. Só nos primeiros 12 meses de funcionamento, o posto contabilizou 42,6 mil atendimentos. Estudos da empresa apontam duas médias de fluxo de passageiros por ano.
Na baixa estação, circulam por ali cerca de 27 mil usuários por dia pelo elevador. Na alta, o fluxo cresce por causa da chegada dos turistas, atingindo 35 mil passageiros/dia, em suas quatro cabines, com capacidade para 27 pessoas cada.
Para trafegar no elevador, o usuário desembolsa R$ 0,05, e o movimento de passageiros começa logo cedo, a partir das 6h. Os bilhetes magnéticos podem ser comprados com opção para uma, duas, quatro ou 10 "viagens". O sistema é similar ao de um cartão telefônico, que reconhece o número de acessos ainda disponíveis.
A construção do antigo Elevador Hidráulico da Conceição foi inaugurada em 8 de dezembro de 1873, por Antônio de Lacerda e surgiu da necessidade de reduzir o percurso entre as cidades Alta e Baixa.
Naquele tempo o acesso se dava apenas por becos e ladeiras da encosta voltada para a Baía, como o "Caminho do Mar" - hoje Rua Vidal da Cunha - ladeiras da Conceição, Preguiça, Taboão, Bandeira e Misericórdia. Mais tarde, os jesuítas fizeram os guindastes dos Padres, do Carmo, da Praça e dos Terézios, que ficavam situados atrás do atual Museu de Arte Sacra da Bahia.
Com o tempo, o elevador passou a ser conhecido como "Parafuso da Conceição", devido ao aspecto de torre, que "perfurava" a rocha até o plano da Cidade Baixa. Nela foram instaladas duas balanças hidráulicas, fabricadas pela companhia inglesa Hoisting Machinery.
O Lacerda foi o primeiro elevador hidráulico construído no Brasil e também o maior do mundo, na época, com 195 pés de altura e 81 pés e meio de extensão horizontal, abertos em rocha viva. Só um "Hoistings Machines", como ficou conhecido o elevador hidráulico, havia sido instalado na Europa, mais precisamente na Albert Hall, em Londres.
Em 8 de dezembro de 1897, a Companhia de Transportes Urbanos e o Conselho Municipal da Cidade do Salvador acolheram a proposta, encaminhada pela diretoria do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, para a mudança do nome de Elevador Hidráulico da Conceição para Elevador Antônio de Lacerda, sendo mais tarde simplificado para Elevador Lacerda.