Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Salva-vidas registram 1.900 casos nos quatro primeiros dias do ano

Terça, 04 de Janeiro de 2005 às 17:25, por: CdB

O mar não está para os banhistas no Rio de Janeiro. O Grupamento Marítimo (G-Mar) do Corpo de Bombeiros fez, somente nos quatro primeiros dias do ano 1.900 salvamentos nas praias cariocas. O total de salvamentos registrados em todo o ano passado foi de 13.110. Em apenas quatro dias, os bombeiros tiveram quase o dobro do trabalho de um mês e, com a chegada dos turistas, precisaram redobrar a atenção nos postos de salvamento da orla.

Segundo o coronel Marcos Silva, comandante do G-Mar, o aumento do número de casos está relacionado a uma corrente marítima de leste para sul que permanece nas praias do Rio há mais de dez dias. Só no dia 31, 622 afogados foram resgatados.

Na noite de réveillon, houve 59 salvamentos. "O mar está estranho. Normalmente a corrente muda muito, pelo menos a cada dois dias, mas essa está nos dando trabalho há vários", afirmou.

Com as praias lotadas e um efetivo pequeno, o G-Mar tem se desdobrado nos últimos dias para evitar tragédias. São 1.500 salva-vidas distribuídos por pouco mais de mil quilômetros de costa. Nas praias onde se concentram o maior número de banhistas Ipanema e Copacabana, na zona sul, e Barra da Tijuca e Recreio, na zona oeste no Rio, eles contam ainda com 16 ambulâncias, quatro centros de recuperação de afogados, 21 lanchas e três helicópteros.

"Aqui, mesmo com o dia nublado, tem que ficar alerta o tempo todo. A praia fica cheia e poucos dão atenção às placas que colocamos apontando as correntezas", afirma o salva-vidas Ronie Alexandre, de 32 anos, que no último dia 30 fez 15 salvamentos numa tarde. "A gente apita, conversa com os banhistas, aconselha. Mas não posso segurar pelo braço e impedir ninguém de entrar no mar. As pessoas olham e acham que está calmo".

Hoje, a dentista Beatriz Pinto, que freqüenta a praia de Ipanema com os filhos de 7 e 4 anos, diz que se sente segura com os bombeiros. "Procuro observar os alertas. Eles até exageram, mas é melhor pecar por excesso", afirmou.

Segundo o coronel Marcos Silva, boa parte dos afogados são turistas. "Os hotéis dão conselhos sobre segurança mas não tocam no assunto da praia. Deveriam alertar. Muitos turistas são retirados do mar todos os dias", queixou-se.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Hotéis, Ângelo Vivacqua, disse que os hotéis nunca sentiram essa necessidade, já que são raros os casos registrados entre hóspedes. Ele elogiou o trabalho do bombeiros, que transmitem segurança aos banhistas. "Os postos são visíveis e os guarda-vidas fazem um trabalho de primeiro mundo", afirmou.

Tsunami - O oceanógrafo David Zee, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), esclarece que o mar agitado não é fruto de qualquer reflexo do maremoto na Ásia, embora registre que, no dia da tragédia, a Baía de Guanabara tenha subido 1,6 metro durante trinta minutos. "Apesar de ressacas não serem comuns no verão, estamos vendo agora um fenômeno atípico. O mar está revolto, a corrente de leste é mais forte e as ondas estão com muita força, com mais energia. É uma ressaca de verão disfarçada, as pessoas não sentem e são surpreendidas quando entram no mar", explicou.

Na avaliação de Zee, o fenômeno está ligado ao aquecimento da Terra, que favorece os ventos que impulsionam as ondas. A força da maré provoca ainda erosão nas praias. Hoje, operários da prefeitura tiveram de repor parte da areia da Praia da Macumba levada pelo mar.

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