Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Salgueiro faz desfile técnico

Para contar o enredo A cana que aqui se planta tudo dá, até energia... Álcool, o combustível do futuro, a Salgueiro (uma das escolas que conta com maior número de simpatizantes) decidiu fugir a suas características, e trocou a emoção pela razão. (Leia Mais)

Segunda, 23 de Fevereiro de 2004 às 06:40, por: CdB

Para contar o enredo A cana que aqui se planta tudo dá, até energia... Álcool, o combustível do futuro, a Salgueiro (uma das escolas que conta com maior número de simpatizantes) decidiu fugir a suas características, e trocou a emoção pela razão.

Numa clara intenção de copiar os chamados "desfiles técnicos" da Imperatriz Leopoldinense (maior campeã da era Sambódromo, com seis conquistas), a escola da Tijuca foi fria, detalhista e grandiosa, mas não empolgou a arquibancada como costumava fazer em carnavais anteriores.

"A verdade é que nos cansamos de ganhar o prêmio popular. Queremos o título do Carnaval", afirmou o presidente Luis Augusto Duran. O último título da agremiação ocorreu em 1993, com o enredo Peguei um ita no norte.

A mudança de rumo na agremiação não parou por aí. Depois de 30 anos comandada pelo mestre Louro, a bateria se apresentou sob nova direção: com mestre Jonas, foi econômica nas "paradinhas" que a notabilizaram, optando por acompanhar a escola numa cadência menos original.

Antes mesmo de entrar na avenida, a Salgueiro passou por um susto: um princípio de incêndio quase estragou o abre-alas. Provocado por um curto-circuito, o fogo foi rapidamente combatido, mas o canavalesco Renato Lage, muito preocupado, chegou a passar mal.

Seus destaques foi a quase eterna Dercy Gonçalves. A "musa das musas", segundo a faixa que a atriz carregava no peito, mostrou que Xuxa não é a única loira capaz de levantar a praça da Apoteose no Rio de Janeiro. Mostrou as pernas como se tivesse 20 anos e não perdeu nenhuma oportunidade de soltar seus famosos palavrões.

"Fiz tudo isso pelo meu povo. Tenho certeza que é a última vez. Aos 97 anos essa é a última vez. Desfilei porra, pqp", disse ela após descer do carro alegórico que a carregou sentada pela avenida.

O Salgueiro também caiu na armadilha dos sambas longos e complicados. A diferença positiva foi que o refrão (acompanhado de palmas pelos integrantes) provocou um efeito especial.

As alas coreografadas mostraram uma escola na qual os membros da comunidade salgueirense participam mais que os turistas.

Essa força, aliada a ala das baianas, é a que faz uma grande escola. Elas, que são uma tradição nas verdadeiras campeãs, foram outro destaque do desfile.

A fantasia composta de saia dourada com um cinturão de veludo vermelho e pluma brancas e pretas deu às baianas do Salgueiro a sofisticação e a autoridade que elas merecem por sua história.

Tags:
Edições digital e impressa