Saleh vai à TV e oferece partilhar poder no IêmenLegenda:Imagem de televisão transmitida desde a Arábia Saudita mostra o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, pela primeira vez desde o atentado que sofreu há um mês e disse estar disposto a partilhar o poder dentro das regras constitucionais. (reuters_tickers)
Por Mohammed Ghobari e Mohammed Mukhashaf
SANAA/ÁDEN (Reuters) - O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, apareceu na TV na quinta-feira pela primeira vez desde o atentado que sofreu há um mês e disse estar disposto a partilhar o poder dentro das regras constitucionais.
Saleh se recupera em Riad, na Arábia Saudita, do ataque a bomba contra o palácio presidencial em 3 de junho. Ele apareceu com marcas de queimaduras graves e com a barba branca por fazer, mas sem o seu habitual bigode. Tinha os braços e mãos muito enfaixados.
"Não somos contra a participação, somos a favor da participação de todas as forças políticas, sejam oposicionistas ou governistas, mas à luz de um programa com o qual o povo concorde", disse ele na entrevista gravada.
Saleh, que está no poder há 33 anos e enfrenta há meses uma rebelião popular, resiste à pressão dos EUA e da Arábia Saudita para renunciar. Num sinal de que manterá sua postura, ele disse que vai "confrontar um desafio com outro desafio" -- frase habitual em seus discursos.
Ele contou que passou por "oito operações bem sucedidas e sofreu queimaduras", e agradeceu ao rei Abdullah, da Arábia Saudita, por recebê-lo.
Fogos de artifício e tiros para o alto foram ouvidos em Sanaa depois do discurso. Um manifestante morreu e dez ficaram feridos, disse uma fonte médica à Reuters.
Em Ibb, ao sul de Sanaa, partidários do governo, armados, atacaram manifestantes, matando dois e ferindo dez, segundo outra fonte médica.
O político oposicionista Sultan al-Atwani disse que o discurso não afastou os rumores sobre a saúde do presidente. "Está claro que seu estado não é ótimo. Quanto ao discurso, não foi nada de novo, e a participação da qual ele falou só virá com um diálogo nacional depois de uma transferência de poder."
Horas antes do pronunciamento, um líder oposicionista disse ter sido procurado pelo presidente interino, Abd-Rabbu Mansour Hadi, para discutir um novo plano de conciliação, pelo qual Saleh permaneceria no poder além do prazo estabelecido em uma proposta anterior, feita pelo Conselho de Cooperação do Golfo.
Por aquele plano, Saleh teria de renunciar num prazo de 30 dias.
"A essência dessas ideias é começar o período de transição formando um governo nacional liderado pela oposição, e alterar a data das eleições presidenciais de 60 dias para um período maior, sem transferir o poder completamente ao vice-presidente", disse o dirigente oposicionista, que falou à Reuters sob condição de anonimato.
(Reportagem adicional de Jason Benham, em Dubai, e de Amena Bakr, em Riad)
Reuters