Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Saleh desafia multidão no Iêmen que reivindica renúncia

Sexta, 13 de Maio de 2011 às 07:12, por: CdB

Saleh desafia multidão no Iêmen que reivindica renúncia

Por Mohamed Sudam e Mohammed Ghobari

SANAA (Reuters) - Enormes multidões em Sanaa e outras cidades iemenitas exigiram nesta sexta-feira a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, após meses de turbulência que já levaram o mais pobre país árabe do mundo à beira de um colapso econômico.

Em discurso de tom desafiante feito perante milhares de partidários na capital iemenita, Saleh declarou: "Enfrentaremos um desafio com um desafio".

Três pessoas morreram e 15 ficaram feridas quando tropas dispararam contra manifestantes em Ibb, cidade ao sul de Sanaa, informaram médicos e testemunhas. Em seguida, manifestantes atearam fogo a um veículo blindado de transporte de tropas. Três manifestantes foram feridos a bala na terceira maior cidade do país, Taiz.

As mortes mais recentes elevaram para pelo menos 170 o número total de mortos desde que os protestos começaram, segundo uma contagem da Reuters.

Resistente, Saleh vem se agarrando ao poder apesar de ter sido abandonado por políticos, oficiais do Exército e líderes tribais.

Veículos blindados, tropas e até mesmo alunos de uma academia militar, armados com cassetetes, se espalharam por Sanaa para conter um mar de manifestantes que se estendia pela rua principal da cidade por sete quilômetros.

"Somos persistentes, ó líder dos corruptos", gritavam manifestantes anti-Saleh. "Paz, paz, não à guerra civil."



Manifestantes em Sanaa, Ibb, Taiz e Hudaida promoveram procissões funerárias para alguns dos 13 manifestantes mortos na quarta-feira.

Em Sanaa, seis caixões foram levados a sepulturas sobre as quais foram jogadas rosas vermelhas. Alguns manifestantes erguiam cartazes dizendo: "Não vamos silenciar sobre os crimes deste regime. O sangue de mártires não é barato".

Em Ibb, vários policiais militares participaram de uma procissão funerária de um homem morto a tiros na turbulência da quarta-feira.

Discursando para seus partidários, Saleh tachou seus adversários de sabotadores e disse que eles deveriam usar as urnas.

"Nós não fechamos ruas, não cortamos gasodutos em Maarib -- estas são as propriedades do povo", disse ele. "São a riqueza do povo. O povo come e bebe disso. Parem de brincar com fogo."



As declarações do presidente sugeriram preocupação séria com a sabotagem de gasodutos e os prejuízos econômicos causados pelo conflito, algo que foi destacado anteriormente por dois ministros.

"Se o problema persistir, o governo não terá como atender às necessidades mínimas dos cidadãos. A situação será uma catástrofe que ultrapassa a imaginação", disse ao parlamento o ministro do Petróleo, Amir al-Aidarous, segundo a agência de notícias oficial Saba.

A Saba citou o ministro do Comércio e Turismo, Hisham Sharaf, como tendo dito que a turbulência, que começou no final de janeiro, já custou ao Iêmen 5 bilhões de dólares, ou 17 por cento do PIB de 2009.

(Reportagem adicional de Mohammed Mukhashaf em Aden, Erika Solomon e Sara Anabtawi em Dubai e John Irish em Paris)

Reuters

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