O saldo das transações correntes do Brasil (todas as operações do país com o exterior) ficou negativo em US$ 2,596 bilhões em junho, acumulando déficit de US$ 17,402 bilhões no ano. A projeção do Banco Central (BC) para o ano é US$ 21 bilhões e a do mercado está em US$ 24 bilhões. Em junho do ano passado, o resultado das transações correntes foi positivo em US$ 539 milhões e acumulou US$ 2,413 bilhões em seis meses, segundo informou a Nota do Setor Externo, divulgada hoje (28) pelo BC.
A conta de transações correntes é formada pela balança comercial (exportações menos importações), transferências unilaterais correntes (recursos enviados por brasileiros residentes no exterior) e por serviços e rendas (como lucros e dividendos e viagens internacionais). A balança comercial (exportações menos importações) registrou superávit de US$ 2,718 bilhões no mês passado e acumulou US$ 11,349 bilhões no primeiro semestre, contra US$ 3,819 bilhões de junho do ano passado e US$ 20,577 bilhões, de janeiro a junho de 2007.
A conta de rendas e serviços (remessas de lucros, dividendos e juros ao exterior e gastos com viagens internacionais) fechou o mês com resultado negativo de US$ 5,635 bilhões e o semestre em US$ 30,603 bilhões. No ano passado esses valores eram, respectivamente, US$ 3,573 bilhões e US$ 20,107 bilhões de saldo negativo. As remessas de lucros e dividendos somaram US$ 3,396 bilhões, em junho, ante os US$ 1,746 bilhão registrado no mesmo mês do ano passado. No primeiro semestre, essas remessas chegaram a US$ 18,993 bilhões, contra US$ 9,807 bilhões de janeiro a junho de 2007.
A conta de viagens internacionais também está negativa em junho em US$ 621 milhões e no acumulado do ano em US$ 2,635 bilhões. No mesmo período do ano passado, os resultados foram respectivamente em US$ 353 bilhões e em US$ 1,060 bilhão. As receitas menos despesas com juros gerou resultado negativo de US$ 565 milhões, no mês passado, e em US$ 3,356 bilhões, no acumulado do ano, contra US$ 561 milhões e US$ 4,514 bilhões do mesmo período de 2007.
O investimento estrangeiro direto no Brasil (caracterizado pelo interesse duradouro do investidor na atividade produtiva do empreendimento) ficou em US$ 2,718 bilhões no mês, contra o resultado de US$ 10,318 milhões do mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o investimento estrangeiro direto acumula US$ 16,702 bilhões, contra US$ 20,852 bilhões do mesmo período do ano passado. A projeção do BC para o investimento estrangeiro no ano é de US$ 35 bilhões.
Reservas em alta
As reservas internacionais fecharam o mês de junho em US$ 200,83 bilhões, um aumento de US$ 2,92 bilhões em relação ao mês anterior. Com o crescimento das reservas, o Brasil hoje é credor externo em US$ 19,926 bilhões. As compras do Banco Central somaram US$ 1,98 bilhão no mês. Também houve um ganho de US$ 603 milhões com a remuneração das reservas e de US$ 335 milhões com a variação das cotações.
Durante do mês de junho, as reservas brasileiras atingiram pela primeira vez a marca simbólica de US$ 200 bilhões. No início final de 2007, estavam em cerca de US$ 180 bilhões. A previsão é terminar 2008 em US$ 202,6 bilhões. O aumento das reservas internacionais é uma estratégia do BC para garantir um "colchão" de proteção e reduzir o impacto de crises internacionais que possam levar a uma fuga de dinheiro do país. Elas mostram também que o país tem dinheiro para pagar sua dívida externa, o que reduz as chances de um calote.
Além das reservas (US$ 200,8 bilhões), o país possuía em junho US$ 2,69 bilhões em créditos no exterior e US$ 21,662 bilhões em haveres de bancos comerciais.