O reajuste salarial de 28,5% aprovado nesta quarta-feira à noite pela Câmara dos Deputados para os 594 congressistas, o presidente da Repúboica, o vice-presidente e os 34 ministros vai causar um impacto de R$ 610 milhões nos cofres públicos quando entrar em vigor.
O valor leva em consideração o fato de os deputados estaduais e os vereadores terem os salários vinculados aos contracheques do Congresso.
A aprovação dos reajustes, retroativos a 1º de abril, ocorreu de forma simbólica --sem registro nominal dos votos.
"Impressiona o grau dramático que essa questão suscita. Queria ver essa tenacidade em uma série de outras matérias", discursou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).
Somos um poder nas cordas", avaliou Fernando Gabeira (PV-RJ).
Um dos defensores do reajuste, o deputado Carlos Willian (PTC-MG) rebateu: "Aqui existem demagogos, falsos paladinos da moralidade".
O índice de 28,5% representa a inflação (IPCA) acumulada entre dezembro de 2002 e março deste ano, descontado reajuste de pouco mais de 1% em 2003.
Os congressistas receberam o último aumento em 2003. No fim de 2006, aprovaram aumento de 91%, mas o STF derrubou a medida.
Presidente, vice e ministros tiveram salários fixados em 1995. Desde então, tiveram reajuste de 4,5% contra inflação acumulada de 156%.