O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), defendeu nesta manhã o afastamento do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, como ``uma questão sobrevivência do governo''.
``Não vejo saída a não ser o afastamento dele (...) É questão de sobrevivência do governo'', disse Virgílio a jornalistas no Congresso.
A pressão para Dirceu deixar o cargo surgiu com as denúncias contra o ex-subchefe de assuntos parlamentares da Presidência Waldomiro Diniz, que era subordinado ao ministro até a reforma ministerial de janeiro.
Para Virgílio, o ideal seria ``que o ministro peça para se afastar''.
Waldomiro foi flagrado em fita de vídeo pedindo dinheiro a um bicheiro para si próprio e para a campanha de candidatos a governos estaduais em 2002. Novas reportagem publicadas nesta sexta-feira aumentaram o nervosismo do mercado, com o dólar rompendo a barreira dos 3,00 reais pela primeira vez em cinco meses.
O afastamento de Dirceu, disse Virgílio, ``seria um dos itens para começar a acalmar o mercado''. Isso, argumentou, mostraria ``vontade do governo de apurar''.
O senador, no entanto, procurou elogiar Dirceu e disse que ''não chuta adversário que não está de pé'', mas acrescentou que o governo está querendo curar ``câncer com merthiolate''.
O tucano também criticou uma eventual manobra para impedir a instalação da CPI dos bingos, que já tem as assinaturas necessárias. Segundo parlamentares, um dos casos a serem investigados nessa comissão seria o de Waldomiro, por supostas ligações com o jogo clandestino.
``Derrubá-la significa dar mais força para a outra'', disse Virgílio, referindo-se ao requerimento de uma CPI específica para o caso Waldomiro.
A CPI dos bingos conseguiu as 27 assinaturas necessárias já na quarta-feira, mas setores governistas defendem que ela não seja instalada devido a possível erro jurídico na redação do seu requerimento.