A nova empresa que será criada com a joint-venture entre os grupos Sendas e Pão de Açúcar no Rio de Janeiro vai assumir as dívidas que a Sendas tem atualmente. A maior parte desta dívida é com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de US$ 130 milhões.
Segundo o presidente da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), Abílio Diniz, a nova empresa terá uma geração de caixa suficiente para equacionar estes passivos.
O presidente da Sendas, Arthur Sendas, revelou que, antes de fechar o acordo, se encontrou com os quatro principais bancos que se relacionam com a empresa. Participou da reunião também o presidente do BNDES Carlos Lessa e sua área técnica. No encontro, o BNDES demonstrou apoio total à joint-venture.
Ainda não está decidido se a nova empresa, cujo nome deve ser Companhia Sendas de Supermercados, será de capital aberto. A nova empresa nasce com faturamento de cerca de R$ 3,5 bilhões e 106 lojas e será a quarta empresa do ranking.
Diniz lembrou que não haverá desembolso de recursos, nem qualquer troca de ações. A idéia da associação, segundo ele, veio para que os grupos consigam ganhar eficiência e escala, podendo diminuir custos e ter preços mais baixos. Ele revelou que devem ser mantidas todas as bandeiras que farão parte da nova companhia Segundo ele, cada bandeira corresponde a um perfil de loja diferente e, por isso. a idéia inicial é manter como está.
O presidente do grupo Sendas admitiu hoje que a criação da joint-venture é uma espécie de contra-ataque aos avanços das empresas estrangeiras no Brasil.
-Agora é um momento oportuno. O capital externo está cada vez mais agressivo. É bom ter duas empresas brasileiras fortes reunidas- afirmou.
Já Abílio Diniz afirmou que sua maior preocupação não é com estrangeiros como o Wal-Mart e o Carrefour, mas sim com supermercados que sonegam impostos, os quais ele classifica como "borrachudos".