Rio de Janeiro, 25 de Agosto de 2026

Sai de cena um resistente dos anos duros da repressão

Terça, 03 de Maio de 2011 às 05:35, por: CdB

Nos anos 60, quando a repressão desencadeada pelo regime militar crescia e atingia sem piedade a cultura, com a invasão de teatros e o espancamento de atores e do próprio público por bandos armados pela ditadura, o movimento estudantil e os artistas se uniram em assembléias e manifestações para denunciar e lutar contra a barbárie. Em alguns momentos, grupos de estudantes voluntariamente se organizaram para tentar proteger nossos artistas e nosso teatro. À época tive o privilegio de conviver e conhecer quase todos os artistas. Muitos eu reencontrei anos depois na fundação do PT e na campanha das Diretas Já que restabeleceu as eleições diretas de presidente da República. Mas, a vida guarda surpresas. Num belo dia, lá estava eu ajudando o Teatro de Arena a reorganizar sua contabilidade e a colocar em dia suas obrigações fiscais, trabalhistas e previdenciárias - a pretexto do não cumprimento dessas obrigações a ditadura ameaçava fechá-lo - quando encontrei, entre outros e pela primeira vez, o corajoso e sempre combativo José Renato Pécora, o Zé Renato, fundador do Arena falecido nesta segunda-feira. Rendo-lhe uma singela homenagem ao registrar com tristeza sua morte aqui e também o pesar de nossa amiga comum, a dramaturga Consuelo de Castro, militante contra a ditadura e testemunha daqueles duros, mas belos anos. Quando havia amor entre as pessoas, quando se amava apesar de tudo. Abaixo, as belas palavras escritas por Consuelo: "Sobre Zé Renato Zé Renato era exigente, preciso, apaixonado. Jogava-se, mergulhava, abrangia e incluia. Num teatro, tudo era importante e todos essenciais. Zé era generoso, simples, direto e rabugento, mas não tinha ninguém mais leal. Consuelo de Castro"

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