Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Safra de grãos segue para um novo recorde

A produção brasileira de grãos deve totalizar este ano 146,5 milhões de toneladas, um recorde histórico, com aumento de 9,4% em relação à safra obtida em 2009 – 133,9 milhões de toneladas. O resultado deve ser 0,4% superior ao recorde de 2008, de 145,9 milhões de toneladas. Em 2010, o Paraná deverá superar Mato Grosso e voltar a ser o principal produtor de cereais, leguminosas e oleaginosas do país. Demora na divulgação da política de incentivo ao trigo, porém, aflige produtores

Quinta, 06 de Maio de 2010 às 09:19, por: CdB

A produção brasileira de grãos deve totalizar este ano 146,5 milhões de toneladas, um recorde histórico, com aumento de 9,4% em relação à safra obtida em 2009 – 133,9 milhões de toneladas. O resultado deve ser 0,4% superior ao recorde de 2008, de 145,9 milhões de toneladas. Em 2010, o Paraná deverá superar Mato Grosso e voltar a ser o principal produtor de cereais, leguminosas e oleaginosas do país.

A previsão consta do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de abril (quarta estimativa), divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IBGE prevê um aumento de 0,1% em relação à área plantada no ano passado, chegando a 47,3 milhões de hectares. Em relação a 2009, para as três principais culturas – arroz, milho e soja (que representam 82,3% da área plantada) –, a estimativa é de que haja variações de -5,0%, 5,9% e 6,5%, respectivamente. Segundo o IBGE, a produção do milho e da soja deverá crescer 4,0% e 19,2%, respectivamente, enquanto a do arroz terá retração de 9,7%.

A distribuição regional da produção de grãos deve ser: Sul, 62,2 milhões de toneladas; Centro-Oeste, 51 milhões de toneladas; Sudeste, 16,5 milhões de toneladas; Nordeste, 12,9 milhões de toneladas e Norte, 3,9 milhões de toneladas. Em relação à safra passada, estima-se uma queda de 4,0% apenas no Sudeste. As demais terão incrementos: Norte, de 3,2%; Nordeste de 9,6%; Sul, de 18,7%; e Centro-Oeste, de 4,4%.

O Estado do Paraná deve retornar à posição de maior produtor nacional de grãos, superando em 1,5 ponto percentual o Estado de Mato Grosso, que no ano passado assumiu a liderança, uma vez que a safra paranaense foi muito afetada pelas condições climáticas desfavoráveis, como a seca no início de 2009, geadas em junho e chuvas excessivas no período final das culturas de inverno.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também divulgou nesta quinta-feira projeção para a safra de grãos. Segundo a estatal, no ciclo 2009/2010 devem ser produzidos 146,81 milhões de toneladas, consolidando um novo recorde.

A diferença entre os dados divulgados pelo IBGE e pela Conab se deve aos períodos avaliados. O instituto analisa a colheita de janeiro a dezembro e a estatal se baseia no chamado ano-safra, que vai de agosto a julho.

Incentivo tardio

A demora na divulgação da política de incentivo ao trigo para a safra 2010/2011 está gerando uma indefinição entre os triticultores (produtores do cereal) quanto ao tamanho da área que plantarão. A avaliação está no oitavo levantamento da safra de grãos, também divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Uma pesquisa preliminar feita pela estatal no final de abril indica que haverá redução considerável da área plantada com o cereal, principalmente no Paraná e no Rio Grande do Sul, estados que concentram cerca de 90% da produção nacional. Deve haver uma definição por parte dos produtores nos próximos dias, já que o período ideal de semeadura está em vigor na maioria dos estados onde o trigo é plantado.

Segundo a Conab, a indecisão dos triticultores se dá pelo comportamento do mercado e do preço do cereal atual. “A comercialização da produção da safra 2009/10 está sendo realizada com lentidão por falta de compradores”, diz a pesquisa. Os preços da saca de 60 quilos é de aproximadamente R$ 31 no Distrito Federal e em Goiás, de R$ 24,10 na Região Sul e de R$ 35 em Minas Gerais.

A definição de uma política de incentivo à produção de trigo é mais uma queda de braço entre os ministérios da Fazenda e da Agricultura. Enquanto este defende que o Brasil deve produzir mais trigo e se aproximar da autossuficiência, aquele analisa se a importação não reduziria o preço final do produto, sentido pela população na hora de comprar o pão.

Na safra 2009/2010, o país produziu 5 milhões de toneladas de trigo. O consumo interno, entretanto, é superior a 10 milhões de toneladas. No início do mês passado, terminou uma consulta pública para definir novos parâmetros para o setor. A nova política esperada pelos triticultores, porém, ainda não foi anunciada.

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