A safra 2009/10 de café do Brasil deverá alcançar 39,5 milhões de sacas de 60 kg, previu nesta quarta-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que revisou para cima sua projeção para a temporada. Em setembro, a Conab havia estimado a safra de café do Brasil em 39 milhões de sacas. A colheita 09/10 já foi encerrada. Em relação ao último ano de baixa do ciclo de produção do café arábica (2007/08), o Brasil elevou expressivamente a sua colheita em 09/10, também de bianualidade negativa. Em 07/08, o Brasil colheu 33,7 milhões de sacas.
"Comparando-se aos últimos dez anos, este é o melhor resultado alcançado entre os biênios de baixa", destacou a Conab em um relatório.
Na safra passada (08/09), ano de alta de produção do arábica, o Brasil produziu ao todo 46 milhões de sacas de café. A produção de arábica em 09/10 foi estimada em 28,8 milhões de sacas, ante 28,4 milhões de sacas na previsão de setembro e contra 35,4 milhões de sacas em 08/09. A produção do robusta do país em 09/10 foi mantida em 10,6 milhões de sacas, inalterada ante a previsão de setembro, mas isso representou uma queda em relação à temporada anterior, quando o Brasil colheu 11 milhões de sacas.
Muita chuva
Embora o Brasil tenha colhido em 09/10 um volume maior do que costuma colher em anos de baixa do ciclo do arábica, a qualidade foi prejudicada pelas chuvas. Contribuiu para este quadro, segundo a Conab, o regime de chuvas irregulares –o inverno foi mais chuvoso que o normal– e as temperaturas elevadas.
"As altas precipitações pluviométricas dos últimos meses, coincidindo com as fases de maturação e colheita do grão, comprometeram os processos de colheita e secagem, resultando em um maior volume de café com qualidade inferior", afirmou a estatal.
A produção do café arábica respondeu por 73,1% da produção total do país. Minas Gerais segue como o principal Estado do Brasil, com 19,6 milhões de sacas, ou 68,08% do total. Já o café robusta, ou conilon, respondeu por 26,9% da colheita nacional, O Espírito Santo é o maior produtor dessa espécie, com 7,6 milhões de sacas, seguido por Rondônia (1,55 milhão) e Bahia (542 mil).
O robusta, diferentemente da arábica, não sofre com o fenômeno da bienalidade.
Os cafezais ocuparam uma área produtiva de 2,09 milhões de hectares, redução de 3,54% ante a safra passada. Com isso, pelo menos 76,89 mil hectares deixaram de ser cultivados.
A pesquisa de campo da Conab foi realizada no período de 23 de novembro a 4 de dezembro, nos principais Estados produtores.
Cana-de-açúcar
A indústria sucroalcooleira moerá até o final do ano 612,21 milhões de toneladas de cana, batendo o recorde nacional. A lavoura ainda está em fase de colheita, mas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que divulgou nesta quarta-feira o terceiro levantamento da safra de cana, o excesso de chuvas entre julho e novembro, principalmente na Região Centro-Sul, também influenciou no resultado dessa cultura e fez com que o resultado fosse menor do que o previsto na pesquisa de setembro, de 629,02 milhões de toneladas.
De acordo com a Conab, boa parte da produção ficará no campo para ser colhida na próxima safra. O teor de sacarose também foi afetado pelo excesso de umidade ocorrido no período mais intenso da moagem. Apesar das condições climáticas, o volume de cana a ser moído é 7% do maior que o da sabra 2008/2009 (571,43 milhões de toneladas). A produtividade média também aumentou, em 0,4%, passando para 81.293 quilos por hectare.
"A ocorrência destes fatos fez com que aumentasse a quantidade de cana madura que deve remanescer no campo para ser moída na próxima safra", acrescentou a companhia.
De toda a cana moída, 54% se destinam à produção de 25,8 bilhões de litros de álcool: 18,2 bilhões de litros do tipo hidratado (etanol) e 7,6 bilhões de litros do anidro. O restante vai para a produção de 34,6 milhões de toneladas de açúcar.
Na temporada passada, a produção de cana do país somou 571,4 milhões de toneladas, segundo o órgão do governo. Do total da cana esmagada, 45% foram destinados à produção de açúcar e 55% para o etanol.
Previsão
Para a região centro-sul do Brasil, responsável por mais de 90% da produção sucroalcooleira do Brasil, a previsão da Conab, que realizou a terceira estimativa para o setor, é de produção de 548,8 milhões de toneladas de cana, também queda ante setembro, quando a estimativa era de 565,6 milhões de toneladas.
A produção de açúcar do centro-sul em 09/10 foi estimada em 30,1 milhões de toneladas, contra 32,2 milhões anteriormente. A Conab prevê ainda que a produção de álcool do centro-sul na temporada chegará a 23,7 bilhões de litros, queda ante a previsão anterior de 25,7 bilhões de litros.
"A previsão para os próximos meses na região centro-sul indica maior probabilidade das chuvas ocorrerem acima da média, o que deverá atrapalhar o planejamento das unidades que pretendem estender o final da colheita até o início do ano que vem", destacou a Conab.
As estimativas do órgão para açúcar e etanol na região centro-sul do país estão em linha com as da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, que neste mês reuduziu sua previsão para a safra para 29 milhões de toneladas e 23,4 bilhões de litros, respectivamente.