Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Safra brasileira de grãos tende a ser 3,8% maior do que foi estimada

Quinta, 05 de Novembro de 2009 às 10:47, por: CdB

A safra de grãos em 2010 deve ser 3,8% maior do que a estimada para este ano, segundo a projeção de outubro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quinta-feira. A estimativa para a colheita é de 139,3 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, realizado nas regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste, além dos estado de Rondônia, Maranhão Piauí e Bahia também prevê crescimento de 1,6% da área de colheita, o equivalente a 700 mil hectares. Serão plantados 47,9 milhões de hectares em 2010.

Dos dez produtos pesquisados pelo IBGE, a produção de cinco deles deve aumentar em relação à safra de 2009. São eles: feijão em grão (13,9%), soja em grão (11,8%) cebola (7,3%), fumo em folha (4%) e mandioca (3,2%). Deve cair a produção de amendoim em casca (8,5%), algodão herbáceo em caroço (8,1%), arroz em casca (5,1%), milho (2,2) e batata inglesa (0,7%).

Para a estimativa da safra 2010, os dados levantados em campo foram somados às projeções obtidas com base em informações repassadas em anos anteriores pelos estados. De acordo com o IBGE, por questões relacionadas ao calendário agrícola, muitas unidades ainda não fizeram as primeiras projeções para a colheita do próximo ano.

Maior produtividade

A recuperação da produtividade no campo e a estabilidade do tempo prevista para o período de semeadura das lavouras, que ocorre até dezembro nos Estados do Centro-Sul, maior região produtora do país, devem levar a um aumento de 3% a 5% no volume colhido na safra de grãos 2009/2010. De acordo com os números divulgados hoje (5) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra total ficará entre 139,04 milhões e 141,69 milhões de toneladas.

O grande destaque até agora vem sendo a opção dos produtores pelo plantio de soja, que pode levar a uma colheita de até 63,6 milhões de toneladas, número recorde para esta cultura. Esse resultado superaria em 11,4% o obtido na safra passada. Boa parte desse incremento se deve a agricultores que plantavam milho e, com os baixos preços do cereal no mercado, estão migrando para o cultivo da oleaginosa.

A área plantada, segundo o levantamento da Conab, deve se manter estável, variando de 47,44 milhões a 48,18 milhões de hectares, o que pode representar desde uma redução de 0,5% a um aumento de 1,1% em relação ao ciclo anterior.

Os números apresentados pela Conab são baseados em pesquisa realizada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste com produtores, agrônomos, cooperativas rurais, secretarias estaduais de Agricultura, órgãos de assistência técnica e agentes financeiros. Onde o plantio ainda não teve início, como no Nordeste, foram mantidas a produtividade dos últimos cinco anos e a área da safra 2008/2009.

Trigo em baixa

A produção brasileira de trigo, cereal do qual o país é mais dependente de importações, deve cair 14,3% na safra 2009/2010, em relação ao resultado da anterior. A estimativa da Conab. O volume total colhido deve ficar em 5,04 milhões de toneladas. Segundo a Companhia, a queda se dará principalmente em função do excesso de chuva na fase final do cultivo. A colheita já foi concluída em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e no Distrito Federal. No Paraná, ela já está no fim e no Rio Grande do Sul está no início.

Para chegar a esse dado, a Conab fez a pesquisa entre os dias 19 e 23 de outubro. O consumo nacional de trigo é de aproximadamente 10,5 milhões de toneladas, o que tem obrigado o país a importar mais de 5 milhões de toneladas anualmente. Com as crises de seca na Argentina, principal fornecedor do cereal para o Brasil, o governo tem buscado outras alternativas para aumentar a produção nacional, como o lançamento do Plano Nacional do Trigo, em abril de 2008. O programa, junto com a alta dos preços da commoditie no mercado internacional, incentivou a produção nacional, que chegou a crescer 50% na safra passada, mas acabou caindo na atual.

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