A Casa Branca disse na terça-feira que o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein vai ser entregue ao governo interino do Iraque "no momento adequado".
O governo dos Estados Unidos não chegou a se comprometer publicamente em entregar Saddam antes da data da transferência de soberania, no dia 30 de junho, como havia afirmado o premiê iraquiano Ilyad Allawi, mas não descartou essa possibilidade.
Allawi havia dito, na segunda-feira, que Saddam e outros prisioneiros seriam entregues ao novo governo iraquiano daqui a duas semanas, para que se iniciem os preparativos para o julgamento.
"Vamos entregá-lo no momento adequado. Já deixamos bem claro que queremos que ele seja julgado pelo povo iraquiano pelas atrocidades que cometeu", disse nesta terça o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan.
Quando questionado se esse "momento" ocorreria nas próximas duas semanas, McClellan não foi conclusivo. "Estamos discutindo com o governo interino", afirmou. "Vamos deixar essas discussões ocorrerem primeiro".
Saddam Hussein foi capturado por soldados norte-americanos em dezembro perto de Tikrit, sua cidade natal, e desde então está sob custódia dos EUA, em local secreto.
Os Estados Unidos concordaram em entregá-lo -- assim como outras autoridades sob sua custódia -- para os iraquianos a fim de que seja julgado, desde que o governo soberano estabeleça um tribunal especial capaz de realizar um julgamento justo.
O tribunal pretende indiciar alguns aliados de Saddam até o fim do ano, disse o principal administrador da corte, Salem Chalabi, na semana passada. A expectativa é que, durante seu processo de indiciamento, que pode durar meses, eles dêem testemunhos desfavoráveis a Saddam.
Autoridades locais afirmam que os assessores seriam julgados antes de Saddam. Esses júris poderiam ajudar o tribunal a comprovar a existência de uma cadeia de comando para ligar Saddam a crimes contra a humanidade.
O julgamento acontecerá num complexo de Bagdá que já serviu como depósito de presentes do ex-presidente.