Saddam Hussein não deverá ser entregue a autoridades iraquianas antes da transferência de soberania de volta ao país pelos Estados Unidos, prevista para 30 de junho, e provavelmente será julgado em 2005, disse nesta quarta-feira o diretor do tribunal responsável pelo julgamento.
Em um comunicado, Salem Chalabi, à frente do Tribunal Especial Iraquiano, modificou comentários que fizera nesta terça-feira no Kuweit, quando afirmou que o ex-presidente poderia ser entregue aos iraquianos junto com outros prisioneiros de alto escalão antes da entrega do poder.
"O senhor Chalabi declarou que os EUA deram indícios de que desejam entregar indivíduos em custódia - quando indiciados - ao Tribunal Especial Iraquiano, se o Tribunal Especial Iraquiano estiver pronto a assumir a custódia", declarou o comunicado.
"Quando questionado se isso seria antes de 30 de junho, o senhor Chalabi declarou ser improvável que o tribunal esteja pronto para a assumir a custódia dos réus antes de 30 de junho."
O comunicado disse que é prematuro debater datas, mas que "alguns indivíduos podem ser indiciados nos próximos meses e...se os julgamentos desses indivíduos começarem, isso provavelmente ocorrerá em 2005".
Advogados internacionais disseram que Washington poderia estar agindo ilegalmente se entregasse Saddam, que tem status de prisioneiro de guerra, para qualquer organismo que não seja um governo independente partidário da Convenção de Genebra.
O Iraque ratificou a Convenção nos anos 1950 e um novo governo soberano teria condições de assumir a custódia do ex-presidente, dizem advogados.
Saddam foi derrubado há pouco mais de um ano pela invasão liderada pelos EUA e capturado por tropas norte-americanas em dezembro, quando estava escondido em um buraco perto de sua cidade natal, Tikrit.