O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein foi levado a um tribunal especial iraquiano nesta quinta-feira para enfrentar acusações de crimes contra a humanidade e chegou algemado, afirmaram repórteres no local.
Segundo eles, Saddam recusou-se a assinar documentos legais apresentados a ele na audiência e chamou os procedimentos de "teatro", afirmando que o criminoso de fato era o presidente norte-americano, George W. Bush.
Nervoso
Ao ser entregue aos iraquianos, o ex-ditador estava nervoso porque não entendia o que estava acontecendo, como relatou o responsável pelo Tribunal Especial Iraquiano (TSI), Salem Chalabi.
Saddam, acusado por iraquianos de ordenar a morte e a tortura de milhares de pessoas durante os 35 anos do regime do partido Baath, estava sendo mantido como prisioneiro de guerra desde que as forças dos EUA o encontraram escondido em um buraco perto de sua cidade natal, Tikrit, em dezembro.
De partida
O oficial americano de maior graduação no Iraque, o general Ricardo Sánchez, deixou seu cargo nesta quinta-feira para ser substituído pelo general George Casey no comando da força multinacional.
A cerimônia de transmissão do comando foi realizada na base militar Victory, a principal base americana em Bagdá, situada nas proximidades do aeroporto.
Atentado
O diretor do serviço de controle financeiro do Ministério de Finanças, Ihsan Karim, morreu em um hospital de Bagdá, nesta quinta-feira, poucas horas depois de ter sido gravemente ferido em um atentado.
No ataque também morreram seu motorista e um de seus guarda-costas, de acordo com o médico Osama Fares, do hospital Chahid Adnan, especializado em neurocirurgia e situado na Cidade Médica da capital iraquiana.
O comboio de Karim foi atingido por uma bomba às 8h locais, 1h em Brasília, no bairro de Al Yarmuk, zona oeste da capital.
Em Fallujah [50 km a oeste de Bagdá], ao menos sete pessoas morreram em um ataque aéreo realizado pelas forças dos EUA nesta madrugada, segundo informações de um hospital local. O general americano Mark Kimmitt estimou que entre 10 e 15 combatentes iraquianos morreram.
- Sete corpos foram trazidos ao hospital e sete feridos foram internados, entre eles mulheres e crianças - declarou um membro do serviço de admissões do hospital, que pediu anonimato. Este balanço foi confirmado pelo diretor do hospital, o médico Rafaa Hiad.