O ex-presidente iraquiano, Saddam Hussein, compareceu ao seu julgamento nesta segunda-feira em Bagdá, após ter boicotado as audiências desde o fim de janeiro. Saddam vinha boicotando as sessões desde que ele e os outros sete réus se retiraram da corte em meio à discussões no dia 29 de janeiro, alegando que o tribunal é tendencioso. Os advogados do ex-líder iraquiano haviam dito anteriormente que ele manteria o boicote, mas ele apareceu no tribunal na segunda-feira gritando "Abaixo Bush".
Segundo a agência de notícias Associated Press, desta vez Saddam compareceu ao tribunal vestindo uma túnica azul sob o terno, e não a camisa branca que vinha usando antes. Ainda segundo a agência, o ex-líder iraquiano afirmou que estava sendo forçado a comparecer ao tribunal. A equipe de advogados de defesa de Saddam já havia se retirado do julgamento em protesto contra o novo juiz-chefe, Raouf Abdul Rahman, a quem julgam tendencioso. Saddam e os outros sete réus são acusados pela morte de 148 moradores da vila xiita de Dujail em 1982. Eles negam as acusações.
O correspondente da BBC em Bagdá Jon Brain diz que a acusação estava consciente de que a imagem dos bancos dos réus vazios poderia prejudicar ainda mais um julgamento que vinha se aproximando da farsa. Mas ele diz que se os réus foram levados ao tribunal à força os advogados de defesa argumentariam que isso prova sua acusação de que o juiz é tendencioso e favorece a acusação.
O chefe da equipe de defesa de Saddam refutou alegações anteriores de que seu cliente está planejando uma greve de fome. Khalil al-Dulaimi disse à Reuters no domingo que "parece quase certo" que Saddam Hussein "não tem mais planos de uma greve de fome pelo menos amanhã (segunda-feira), embora alguns de seus colegas possam (fazer isso)". O julgamento, que começou em outubro, sofreu atrasos, viu dois advogados da defesa assassinados e a renúncia do juiz Rizgar Amin.
Saddam Hussein e seus advogados acusaram o novo juiz que preside o julgamento, Raouf Abdul Rahman, um curdo, de ser tendencioso. Os advogados da defesa abandonaram o tribunal depois que Rahman assumiu o cargo no mês passado. Determinado a prosseguir com o caso de qualquer maneira, Rahman pediu a advogados indicados pela corte que assumissem a defesa dos réus. O chefe da promotoria, Jaafar Moussawi indicou que o tribunal perdeu a paciência com Saddam e os outros réus, que incluem o seu meio-irmão Barzan Ibrahim e outros de seus principais assessores.
- Amanhã eles vão comparecer ao tribunal. Se se recusarem, serão forçados. O tribunal tem autoridade - disse Moussawi à agência Reuters no domingo.