Os jornais dão hoje que a Alemanha sugere uma moratória de sete anos para que a Grécia comece a pagar seus credores. A proposta representa uma mudança radical na postura dos países europeus. A União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) já preparam um novo pacote de resgate para a economia grega. Berlim, no entanto, percebeu que apenas conceder recursos já não é suficiente.
Em carta aos demais países da UE, a Alemanha alerta que a medida seria a melhor solução para evitar "o risco real da primeira quebra desordenada da zona do euro". Seu governo justifica que está na hora de o setor privado arcar com parte da crise, e não deixar todo o esforço de resgate aos contribuintes dos diversos países.
A Alemanha finalmente fez o que defendemos, aqui, no blog desde o começo. Foi absolutamente desnecessário todo o sacrifício imposto a Portugal, Irlanda e Espanha, com duros impactos particularmente aos trabalhadores, às classes médias, e à pequena economia. A medida, contudo, deu à direita desses países o poder.
Bacia das almas
Estava evidente que de nada adiantava cortar investimentos, gastos e salários, benefícios previdenciários, aumentar impostos diretos e indiretos, até a contribuição previdenciária. Sem falar na venda de ativos, nas privatizações que entrega a economia desses países ao capital alemão na bacia das almas, a preço de banana. Isso, num cenário de juros em alta, anulava todo esforço fiscal e jogava os países na recessão e no desemprego.
Não me canso de lembrar que foram exatamente os mesmo bancos alemães os sócios dos norte-americanos na aventura especulativa dos derivativos que causou toda a crise que hoje se abate ainda sobre o mundo e a Europa.
Tudo isso para nada, para agora fazer o que deveria ter sido feito desde o início: uma moratória geral, uma reestruturação da dívida dos hoje chamados PIGs (Portugal, Itália, Grécia e Espanha).
Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026
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