Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Sabatina de candidatos na CNI expõe divergências mínimas entre candidatos

A redução dos obstáculos que o país enfrenta para acelerar o desenvolvimento econômico está entre os dois primeiros desafios que o próximo presidente da República deve enfrentar, na avaliação do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. (Leia Mais)

Terça, 25 de Maio de 2010 às 11:34, por: CdB

A redução dos obstáculos que o país enfrenta para acelerar o desenvolvimento econômico está entre os dois primeiros desafios que o próximo presidente da República deve enfrentar, na avaliação do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto que, pela manhã, apresentou as prioridades da indústria aos pré-candidatos à presidência Dilma Rousseff, do PT; José Serra, do PSDB e Marina Silva do PV, destacando que a competitividade das empresas "esbarra na elevada carga tributária, no alto custo do financiamento e na insuficiência dos marcos regulatórios". Os convidados participaram de uma sabatina na sede da instituição.

Para Monteiro Neto, outros empecilhos ao desenvolvimento são a falta de infraestrutura e de logística, que desfavorecem os negócios, e corrigir isso é um desafio para o novo governo. Monteiro Neto pediu que o novo presidente apresente uma agenda clara para a expansão do mercado doméstico, a internacionalização dos negócios do país e a implementação dos projetos para inovação.

– O Brasil deve assumir a agenda da competitividade com sentimento de urgência – afirmou o presidente da entidade, deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE).

Segundo ele, os setores privado e público precisam promover uma "aliança estratégica" nos próximos anos para elevar a competitividade da indústria nacional. O empresário André Gerdau, diretor-presidente do grupo que leva seu nome, fez críticas ao câmbio como um dos fatores que mais prejudicam a competitividade do Brasil.

– Com esse câmbio, fica difícil – disse no evento.

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, talvez seja, entre os candidatos, a maior voz contrária ao patamar atual do câmbio pelo efeito negativo ao setor exportador. O dólar chegou a cair a R$ 1,70 antes da piora da crise europeia. Nesta terça-feira, no entanto, a moeda norte-americana voltava ao patamar de R$ 1,90, diante de preocupações de que a crise de dívida na Grécia pode contaminar mais países da zona do euro, além do possível confronto entre as Coreias do Sul e do Norte.

Dilma Rousseff (PT), primeira a ser sabatinada pelos industriais, foi seguida por Serra e, porfim, Marina Silva (PV). O programa da CNI não permitia perguntas entre os pré-candidatos. Este é o terceiro evento deste tipo, todos realizados em maio. Os anteriores foram em Belo Horizonte, com municípios mineiros, e em Brasília, na marcha de prefeitos.

Promessas de campanha

Dilma, ao público presente durante o encontro, voltou a prometer a erradicação da pobreza extrema.

– O piso da renda no Brasil tem que ser o piso da classe média – afirmou.

Ela também apoia o corte de gastos na gestão pública:

– Não é cortar gastos de custeio, mas cortar gastos que não são racionais para o país.

Dilma não perdeu a oportunidade de tecer críticas ao PSDB e a José Serra. Ela afirmou que havia um "apagão de planejamento" no país assim que o PT assumiu o governo.

– Não vou ficar falando sobre o apagão de planejamento, de projetos, que havia no governo. Nós superamos uma parte importante desses gargalos. Rompemos anos e anos de estagnação, desemprego e desigualdade – disse.

A pré-candidata petista iniciou sua fala com um balanço da atuação governamental durante a crise do capitalismo mundial, em curso desde 2008.

– Pela primeira vez, o Brasil teve um posicionamento sólido diante da crise. O país foi o último a entrar e o primeiro a sair – afirmou, para em seguida elogiar as políticas macroeconômicas do governo Lula e os três fatores em que se baseia: controle da inflação, com política de metas; robustez fiscal, por meio de câmbio flutuante e acúmulo de reservas; equilíbrio fiscal, com a diminuição do endividamento público e política de superavit primário.

Dilma abordou as ações e metas do governo para os próximos quatro anos:

– Vamos fazer um superavit primário em torno de 3,3% – afirmou.

Ela também pontuou a gestão atual como voltada para o crescimento da economia e a redução real da taxa de juros.

– A taxa é alta ainda, mas demonstra trajetória de queda que mantém a sustentabilidade – acrescentou.

Serra critica juros

Segundo a participar da sabatina na CNI, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, criticou o discurso de sua principal adversária e o governo Lula que, segundo o tucano paulista, promoveu o "loteamento político" no governo federal.

– A Infraero está loteada. Hoje, as agências reguladoras estão divididas entre partidos. Tudo está loteado – afirmou.

Para José Serra, o governo federal ainda não solucionou os problemas de infraestrutura do país, apesar do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

– Estão sendo resolvidos? Não duvido que haja boa intenção, mas está complicado. Falta planejamento, qualidade de gestão e falta capacidade para fazer sequenciamento dos investimentos segundo a ordem de prioridade – afirmou.

Serra ainda rebateu Dilma quanto à alta dos juros no país.

– Não entendi a explicação da Dilma quando ela defende a política cambial e de juros. Entra governo, sai governo, continuamos com os maiores juros do mundo – disse, após afirmar que o Brasil, nesse quesito, é "campeão".

Fim do plebiscito

Pré-candidata pelo Partido Verde, a senadora Marina Silva criticou o ambiente plebiscitário que toma conta da campanha política deste ano. Ela lamentou a retirada de Ciro Gomes da corrida eleitoral:

– Que rico seria o debate com os quatro. Fiquei triste quando o Ciro foi interditado de ser candidato – disse Marina.

Ainda numa crítica à polarização do quadro político nacional, ao encerrar a sabatina, Marina disse à platéia de empresários que as pessoas devem votar com o "coração" no primeiro turno. Ela se colocou como alternativa a José Serra e Dilma Rousseff, e disse que as pessoas "desviam" seus votos no segundo turno.

– No primeiro turno, a gente vota em quem acredita, em quem o coração da gente acha que é melhor para o Brasil. No segundo turno, a gente se desvia – acrescentou.

Em seus planos de governo, ela sugeriu que o Brasil faça uma previdência capitalizada.

– Eu tenho concordado com a ideia de que parte do PAC possa ir para que a gente possa sair do regime de Previdência, que é uma espécie de repartição simples, para uma Previdência capitalizada, a exemplo do que tem no Chile – afirmou

Nas considerações finais, Marina brincou com o fato de aparecer com 12% de intenções de voto na pesquisa DataFolha.

– Para mim é motivo de honra, satisfação, ver que vocês (empresários) permaneceram aqui. Mesmo com os meus ainda 12% me sinto honrada com as presenças – concluiu.

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