Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Ruy Guerra adapta obra de Gabriel Garcia Márquez

Quinta, 22 de Setembro de 2005 às 04:43, por: CdB

O diretor Ruy Guerra adapta <i>A má hora</i>, um dos romances mais desconhecidos do escritor colombiano Gabriel García Márquez, em <i>O veneno da madrugada</i>, filme que integra a mostra oficial do 53º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián.

O filme brasileiro, baseado no romance <i>A má hora</i>, segundo livro do prêmio Nobel colombiano, conta uma história de vinganças em um pequeno povoado latino-americano dos anos 50, mas de três pontos de vista diferentes, o que faz com que o filme volte mais de uma vez a si mesmo.

- Parti de uma base da física moderna que afirma que os conceitos podem ser opostos e verdadeiros. Por exemplo, a Terra pode ser redonda e percebida como plana ao mesmo tempo -  disse o cineasta nascido em Moçambique durante entrevista coletiva.

-  Se a história fosse contada cronologicamente, as mortes teriam ocorrido ao mesmo tempo. Por isso uso a elipse para contar a verdade de cada um - acrescentou Ruy, que já adaptou outras obras de García Márquez, como <i>Erendira</i>, <i>Fábula da Bela Palomera</i> e <i>Me alquilo para soñar</i>.

Apesar disso, o filme não é uma adaptação 'colada' do livro, mas se distancia dele precisamente pela forma como é contado.

- Para fazer o tipo de cinema de que gosto, tenho que me distanciar do romance. Poderia ser mais fiel, mas não é disso que gosto -  explicou, reforçando que o filme "está bem distante da estrutura do romance", mas mantém o universo de García Márquez.

- Tenho sido infiel ao romance, mas fiel a García Márquez -  resumiu, explicando a preservação do espírito da obra literária que teve o aval do próprio escritor.

O tom escuro do filme sobre ódios e rancores é obtido com uma fotografia muito escura, que às vezes arrasta o desenrolar da trama, impedindo que o espectador consiga distinguir personagens, o que fez com que muitos espectadores abandonassem a sala antes do fim da projeção.

- Quase todo o filme é construído em plano seqüência", já que "para que as elipses fossem melhor entendidas não queria cortes nas seqüências, o que também forçou os atores a trabalharem em unidades dramáticas maiores.

Este trabalho autoral também foi complicado porque as limitações da produção não permitiam reunir os intérpretes de vários países, como Brasil, Argentina e Portugal algum tempo antes para ensaios, razão pela qual tudo teve que ser feito durante as filmagens.

- Li todos os livros de García Márquez para me encharcar de seu universo e depois deixei sair tudo -  explicou a atriz Rejane Arruda, uma das protagonistas do filme.

Ela destacou que o trabalho de ambientação com "a chuva, o barro, a igreja, a selva foi suficiente para trazer à cena toda a força" do universo do escritor colombiano e que, depois, "foi um trabalho de ajuste" de sua personagem, Rosario.

<i>O veneno da madrugada</i> encerra a lista de filmes latino-americanos presentes na seção oficial da mostra, que se encerra no próximo sábado

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