Os russos lideram a expansão marítima do século 21. Ao contrário do que aconteceu no século XVI, quando Portugal e Espanha expandiram suas fronteiras pelo mundo - descobrimento das Américas, descobrimento do Brasil e viagem de circunavegação -, os russos deram início a mais nova corrida expansionista da História.
A corrida por obtenção de petróleo e gás, no extremo Norte do planeta, irão garantir a supremacia russa na região e reservas suficientes para os próximos 50 anos, de acordo com levantamento preliminar de cientistas.
O mais famoso explorador da Rússia, Artur Chilingarov, liderou a expedição para fincar a bandeira russa no leito do Oceano Áretico, imediatamente abaixo do pólo.
- O Ártico é russo - disse Chilingarov. - Nós precisamos provar que o Pólo Norte é uma extensão da plataforma do litoral russo.
A Rússia alega que uma cadeia de montanhas submarina, conhecida como Cordilheira de Lomonosov, é uma extensão do território russo.
Isso, segundo os russos, justifica a sua reivindicação sobre a área triangular acima do pólo, o que a garantiria direitos segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, assinada em 1982.
Sob o artigo 76 da convenção, um Estado pode reivindicar até 200 milhas náuticas como zona exclusiva e, além disso, até 150 milhas náuticas de direito ao leito do mar. A base para a medição destas distâncias depende de onde a plataforma do continente termina.
A Rússia lançou um pedido formal em 2001, mas a Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas decidiu que a solicitação teria de ser reenviada. A colocação da bandeira pode ser vista como um gesto simbólico da Rússia.
Ao mesmo tempo, outros Estados estão agindo para proteger os seus interesses no Ártico. O Canadá está planejando construir oito navios de patrulha, e o Congresso norte-americano considera a proposta de construir dois navios polares novos.
A corrida pelo Ártico se acirrou devido ao derretimento de partes da camada polar de gelo, que permitirá explorações mais fáceis de petróleo e gás. Um novo sentimento de nacionalismo também está crescendo na Rússia.
Expedição finca bandeira no fundo do mar
Na última quinta-feira um feito inédito ao alcançar, a bordo de dois minissubmarinos, o fundo do Oceano Ártico, a 4,2 km de profundidade.
Os exploradores fincaram no local uma bandeira russa de titânio e depois retornaram com segurança à superfície.
O líder da missão, o parlamentar russo Artur Chilingarov, disse à agência russa Itar-Tass que o seu minissubmarino fez um pouso tranqüilo no chão na superfície do mar.
- O chão amarelado está ao redor de nós, não há nenhuma criatura marinha à vista - disse Chilingarov.
Riquezas minerais
A expedição foi lançada na semana passada com o objetivo de buscar indícios geológicos que sustentem a reivindicação russa sobre uma vasta área do Ártico.
Acredita-se que o leito tenha depósitos de petróleo, gás natural e outras reservas minerais.
Além de estudar a geologia do Ártico, os cientistas também iriam coletar amostras da fauna e da flora da região.
O retorno à superfície dos dois minissubmarinos, MIR-I e MIR-2, era considerado a parte mais difícil da missão porque os pilotos precisam voltar exatamente ao ponto de partida ou podem ficar presos em baixo do gelo.
Derretimento de gelo pode abrir caminho
O derretimento do gelo foi previsto por um grupo de pesquisadores internacionais. O relatório deles sobre impacto no clima do Ártico indicava, em 2004, que a camada polar poderia derreter nos verões antes do final deste século, devido ao aquecimento global.
Se o gelo derreter, é possível que novas rotas de navegação e exploração de recursos naturais se abram.
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