A suspensão por parte da Rússia das importações de carne da União Européia se deve a que esta não substituiu os certificados veterinários individuais de seus países membros por um comum, indicou nesta quinta-feira, um porta-voz do setor de carnes russo.
Segundo indicou a agência Itar-Tass, o presidente da União de Carnes, Mausheg Mamikonián, a Rússia suspendeu a importação de carne procedente da UE devido a que Bruxelas 'não cumpriu as exigências russas de apresentar um certificado veterinário único que garanta a alta qualidade de sua produção'.
Mamikonián explicou que 'por acordo mútuo de ambas as partes, esse certificado deveria ter ficado pronto no passado 1º de maio, e, depois de prolongar-se por um mês as negociações (até a terça-feira), também não se resolveu o problema'.
Este conflito, segundo a Rússia, é fruto da recente ampliação da UE a outros dez países.
O Ministério de Agricultura russo tinha advertido que a 'ausência virtual' de fronteiras na Europa significa agora que a carne infectada poderia chegar à Rússia de países que não possuem certificados veterinários reconhecidos por Moscou.
O Serviço Veterinário da Rússia assinalou nesta quinta-feira que, ao vencer os certificados antigos e ao não haver-se posto em vigor os novos, também não se negociaram os documentos que deviam prolongar os primeiros.
''Nós não perdemos nada, já que dos países europeus apenas importamos um terço da carne comprada no exterior e além disso a preços bem mais altos que em outros países'', disse Mamikonián.
O especialista acrescentou que as importações da UE podem ser substituídas sem problemas com provisões de outros países, concretamente da Comunidade de Estados Independentes (CEI), Brasil, Argentina, Uruguai e Austrália.
Nos últimos tempos, em Moscou, por exemplo, se reduziu a importação de carne estrangeira de 89 a 65 por cento e a partir do próximo ano a Prefeitura da capital russa suspenderá seu apoio financeiro a essas compras.