Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Rússia surpreende ao apoiar Protocolo de Kyoto

Sexta, 21 de Maio de 2004 às 19:03, por: CdB

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, surpreendeu o mundo na sexta-feira ao garantir sobrevida ao Protocolo de Kyoto, tratado para combater o aquecimento global que esteve à beira do fracasso, já que assessores do governo russo o aconselhavam a não ratificá-lo. A ONU e ambientalistas elogiaram a decisão de Putin, que garante a sobrevivência do acordo, assinado em 1997, depois que os Estados Unidos se recusaram a ratificá-lo, em 2001.

Putin afirmou, depois de um encontro com autoridades da União Européia, em que foram acertados os termos da entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio, que o país agiria rapidamente para ratificar o protocolo. No dia anterior, fontes bem informadas haviam dito que a Rússia queria fazer uma nova rodada de consultas, até agosto.

O protocolo visa cortar as emissões de gases que provocam o efeito-estufa, principalmente do dióxido de carbono. "É um sinal muito bem-vindo", disse Klaus Toepfer, chefe do Programa Ambiental da ONU. "É vital que o Protocolo de Kyoto entre em vigor como o primeiro passo para estabilizar o clima global", afirmou ele em comunicado.

A não-ratificação pela Rússia decretaria a morte do pacto, que precisa da ratificação de países responsáveis por 55 por cento das emissões de gases. Só os Estados Unidos representam 36 por cento do total mundial.

Os dois relatórios preparados por assessores de Putin criticavam a adoção do tratado, afirmando que prejudicaria a economia russa. "Eu realmente não esperava", disse Alexei Kokorin, um especialista no protocolo, do grupo ambientalista WWF.

A troca pela entrada na OMC já era esperada por analistas. Putin ligou as duas coisas claramente: "O fato de que a UE tenha chegado a um acordo conosco nas negociações sobre a OMC só pode ajudar na atitude positiva de Moscou em ratificar o Protocolo de Kyoto", afirmou ele.

Mas analistas afirmaram que a Rússia ainda tem que se preparar para a ratificação, que ainda não é definitiva. "Estou otimista, mas com cautela. Não é uma promessa definitiva, mas vai ser muito mais difícil para a Rússia dizer não a Kyoto agora", disse Steve Sawyer, diretor de política climática do Greenpeace.

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