Rússia se une a coro ocidental por saída de Gaddafi do poder
Por Joseph Logan
TRÍPOLI (Reuters) - A Rússia acha que o líder líbio Muammar Gaddafi deveria deixar o poder e pode ajudar a intermediar sua saída, disse na sexta-feira uma autoridade graduada, em um incentivo importante às potências da Otan determinadas a pôr fim aos 41 anos de governo de Gaddafi.
Foi uma mudança de tom notável em relação às críticas anteriores do Kremlin contra os ataques aéreos ocidentais à Líbia, que oficialmente visam proteger civis em uma guerra civil mas, concretamente, tomaram o partido dos rebeldes que buscam a derrubada de Gaddafi e mudanças democráticas.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciou que se prepara para enviar helicópteros de combate ao país árabe do norte da África, pela primeira vez, para intensificar a pressão sobre as forças de Gaddafi em terra.
Mas as forças de Gaddafi mostraram mais uma vez que ainda têm fôlego, lançando ataques de foguete durante a noite contra a cidade de Zintan, controlada pelos rebeldes, e combatendo insurgentes nos arredores de Misrata.
A oferta de mediação russa foi anunciada nos bastidores da cúpula do Grupo dos Oito em Deauville, França, onde o presidente russo, Dmitri Medvedev, foi um dos chefes de Estado presentes.
"Com seus atos, o coronel Gaddafi se destituiu de legitimidade. Devemos ajudá-lo a partir", disse em Deauville o vice-chanceler da Rússia, Sergei Ryabkov.
Ele falou que a Rússia usará seu diálogo com as autoridades líbias para "ajudar Gaddafi a tomar a decisão correta".
Antes disso, o presidente norte-americano, Barack Obama, revelou ter concordado com seu colega francês, Nicolas Sarkozy, que o único desdobramento aceitável será a saída de Gaddafi.
"Estamos unidos em nossa determinação de levar o trabalho a cabo", disse Obama.
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Uma coalizão da Otan liderada pela França e Grã-Bretanha vem bombardeando a Líbia desde março, sob um mandato da ONU para proteger civis presos em uma batalha com forças rebeldes que buscam pôr fim aos 41 anos de governo de Gaddafi.
Mas o avanço dos rebeldes em direção a Trípoli foi barrado a centenas de quilômetros de sua meta, gerando um dilema para as potências ocidentais, que querem um desfecho rápido na Líbia, mas também desejam evitar atolar-se em outro conflito no Oriente Médio, colocando tropas terrestres em campo.
Grã-Bretanha e França, em uma tentativa de romper o impasse, concordaram em enviar helicópteros de ataque para a Líbia. Com isso, poderão dar apoio em terra às forças rebeldes, se bem que também aumentem suas chances de serem derrubados.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse em Deauville que a guerra da Otan na Líbia está ingressando em uma nova fase e que o envio de helicópteros britânicos vai intensificar a pressão sobre o líder líbio.
Gaddafi nega ter atacado civis, dizendo que suas forças foram obrigadas a agir contra gangues criminosas armadas e militantes da Al Qaeda. Ele diz que a intervenção da Otan é um ato de agressão colonial que visa tomar o petróleo líbio.
Houve ceticismo quanto às chances de Gaddafi concordar em se afastar como parte de um acordo negociado, mesmo com a Rússia tendo somado sua voz ao coro que pede sua saída.
"Conhecendo seu pensamento, acho que ele não vai renunciar. As posições (entre os rebeldes e Trípoli) ainda estão muito distantes", disse nos bastidores da cúpula do G8 o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa.
(Reportagem de Joseph Logan em Trípoli, Mohammed Abbas em Misrata, Souhail Karam em Rabat, Matt Robinson em Tataouine, Tunísia, David Brunnstrom em Bruxelas, Steve Holland, Keith Weir, Alexei Anishchuk e Nicolas Vinocur em Deauville, França, e Barbara Lewis em Genebra)
Reuters