Rio de Janeiro, 25 de Abril de 2026

Rússia se opõe a sanções contra o Irã

Terça, 17 de Janeiro de 2006 às 08:03, por: CdB

O governo russo disse nesta terça-feira que sanções não são a melhor forma de convencer o Irã a abandonar seu programa nuclear.

- A questão de sanções contra o Irã põe os carros na frente dos bois. Sanções não são, de forma nenhuma, a melhor ou única forma de resolver o problema - disse o ministro das Relações Exteriores do país, Sergey Lavrov.

Ele disse que a proposta russa de enriquecer urânio em suas instalações para o vizinho Irã ainda permanece em vigor.

Três países europeus, a Grã-Bretanha, Alemanha e França estão requisitando uma reunião urgente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) que monitora atividades atômicas no planeta entre 2 e 3 de fevereiro. O Irã insiste que seu programa tem fins pacíficos. Os Estados Unidos vêm insistindo que o programa seria uma forma do país adquirir armas de destruição em massa. A crise se ampliou na semana passada quando o Irã rompeu os lacres colocados pela AIEA há dois anos em suas instalações nucleares e retomou a pesquisa na área.

Alemanha

Um diplomata alemão informou nesta terça-feira, que o encontro entre autoridades da União Européia (UE), da Rússia, da China e dos EUA em Londres, na segunda-feira, não chegou a um consenso sobre o procedimento a ser adotado em relação ao programa nuclear do Irã. O vice-ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Gernot Erler, confirmou para uma TV de seu país que o encontro havia produzido um acordo sobre convocar uma reunião extraordinária da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no dia 2 de fevereiro.

Mas disse que ainda havia um desentendimento entre os países participantes a respeito de uma resolução denunciando o Irã ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e sobre qual seria o objetivo de tal resolução.

- Continuamos negociando sobre o que deve ser decidido e sobre qual seria o papel da ONU no caso. Esse é um sinal de que não conseguimos chegar a um acordo pleno sobre qual seria o objetivo da AIEA com essa resolução. Precisamos de mais tempo -  afirmou Erler.

O vice-ministro acrescentou que continua sendo importante buscar uma solução diplomática para o impasse a respeito do programa nuclear do Irã. Grandes potências européias e os EUA suspeitam que o país esteja tentando desenvolver armas nucleares sob o disfarce de um programa civil de energia atômica. No encontro de Londres, eles esperavam convencer a China e a Rússia a dar apoio aos esforços deles para levar a questão do Irã ao Conselho de Segurança. O governo iraniano nega estar buscando armas nucleares e insiste que suas ambições limitam-se à geração de energia elétrica por meio de usinas atômicas.

 - Continuamos tendo a opinião de que precisamos, certamente, de uma solução diplomática. Os países ocidentais e os europeus estão prontos para retomar, a qualquer momento, as negociações, mas isso apenas se o Irã cumprir as promessas que fez -   disse Erler.

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