Rio de Janeiro, 27 de Abril de 2026

Rússia retoma fornecimento de gás, mas crise com Ucrânia continua

Terça, 03 de Janeiro de 2006 às 08:06, por: CdB

A Rússia restabeleceu o fornecimento pleno de gás para os países europeus nesta terça-feira, amenizando na prática o bloqueio imposto à Ucrânia, mas a disputa entre o governo russo e o país vizinho continua fervilhando. Vários países europeus, da Sérvia à Alemanha, protestaram devido ao corte no fornecimento do produto e os EUA desaconselharam a Rússia a utilizar essa fonte de energia como um instrumento político. No domingo, a empresa estatal russa que controla o gás natural do país cortou o fornecimento para a Ucrânia em meio a desavenças sobre o preço do produto. O governo russo curvou-se às pressões do Ocidente e concordou, na segunda-feira, com retomar o nível normal de bombeamento, reconhecendo que tinha pouco a fazer para impedir a Ucrânia de ficar com parte do gás que cruza seu território a caminho dos países europeus.  O grupo polonês de gás PGNIG afirmou, junto com empresas na Hungria e na Áustria, que a entrega do produto havia voltado ao normal. Mas os eventos ocorridos nas últimas 36 horas deixaram arrepiados os mercados de energia e o governo de vários países.


O ministro francês das Relações Exteriores, Philippe Douste-Blazy, pediu que as lideranças ucraniana e russa resolvessem sua disputa por meio do diálogo e que não permitissem que ela afetasse novamente o suprimento de energia para a Europa.

- Isso tem de ser resolvido em meio a uma atmosfera de calma, sem tensão. E não pode se transformar em um processo político. Isso não pode ter consequências para a União Européia (UE) - afirmou o ministro ao canal de TV LCI.

Não há previsão para que se resolva a disputa entre a Rússia e a Ucrânia, cujas relações pioraram ainda mais depois de o segundo país ter saído da órbita de Moscou ao eleger o presidente pró-Ocidente Viktor Yushchenko um ano atrás. A empresa estatal russa Gazprom cortou o fornecimento de gás para a Ucrânia quando este país recusou-se a aceitar um aumento de quatro vezes no preço do produto, algo considerado necessário pela Rússia para acabar com o regime de subsídios herdado da União Soviética. Segundo o governo russo, o reajuste visava adequar os preços ao nível do mercado. Mas autoridades ucranianas disseram que a Rússia pretendia, com a manobra, minar seu governo pró-Ocidente. A Europa recebe um quarto do gás que consome da Rússia.

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