O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu, nesta terça-feira, ao Senado que autorize a utilização de unidades do Exército e dos serviços secretos fora do país, para "combater atividades terroristas internacionais", informou o Kremlin.
Putin apresentou ao Conselho da Federação (Senado) um projeto de resolução que dá ao chefe de Estado este poder, a fim de "proteger os direitos e as liberdades humanas e cívicas, e defender a soberania, a independência e a integridade da Rússia".
O porta-voz da Presidência, Alexei Gromov, afirmou que o documento é baseado no artigo 102 da Constituição da Rússia, que atribui ao Senado a autorização do emprego das tropas fora do país, e na Lei sobre a luta antiterrorista.
Putin pede a utilização das tropas após ordenar aos serviços secretos, na última quarta-feira, que localizassem e liquidassem os assassinos de quatro diplomatas russos seqüestrados em Bagdá no início do mês.
Na sexta-feira, a Rússia anunciou uma recompensa de US$ 10 milhões para quem der informações que permitam identificar os extremistas que seqüestraram e assassinaram os funcionários da embaixada russa no Iraque.
O assassinato dos diplomatas russos foi reivindicado pelo grupo radical Conselho da Shura dos Mujahedin do Iraque, vinculado à ramificação iraquiana da rede terrorista internacional Al Qaeda. O grupo assumiu ainda o assassinato de dois soldados americanos.
O diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB, ex-KGB), Nikolai Patrushev, anunciou que o recém criado Comitê Nacional Antiterrorista coordenará os trabalhos dos serviços secretos para cumprir a missão encomendada pelo chefe do Estado.
Segundo fontes russas, as operações para eliminar os assassinos dos diplomatas poderão ser realizadas por unidades especiais dos departamentos de espionagem militar (GRU), de inteligência exterior (SVR) e de contra-espionagem (FSB).
O Senado da Rússia já anunciou sua disposição para aprovar esta semana a resolução que autoriza o chefe de Estado a utilizar unidades do Exército e dos serviços secretos para o combate ao terrorismo fora das fronteiras russas.
A Duma (Câmara dos Deputados) preparou uma série de emendas à Lei antiterrorista, destinadas a ampliar os direitos do presidente, informou hoje o chefe do comitê de Segurança, Vladimir Vasiliev.
Caso sejam aprovadas, essas emendas acabarão com a necessidade de o presidente, em seu pedido ao Senado, especificar o número de forças, o local onde serão empregadas e os prazos para sua utilização fora de território russo em operações antiterroristas, disse Vasiliev.
Rússia quer utilizar força militar contra terrorismo no exterior
Terça, 04 de Julho de 2006 às 08:11, por: CdB