Manifestantes e policiais enfrentaram-se no início da manhã próximo ao Parlamento da Ucrânia
Duas integrantes presas da banda punk de protesto Pussy Riot podem ser soltas, nos próximos dias, junto com 30 pessoas que foram detidas durante um protesto do Greenpeace, como parte de uma anistia proposta pelo presidente russo, Vladimir Putin, disseram advogados nesta terça-feira. Putin planeja a anistia para este mês para marcar o aniversário de adoção da Constituição russa pós-comunista, em 1993.
De acordo com um esboço do texto disponível na página de Internet da Câmara dos Deputados, pessoas condenadas por vandalismo serão soltas sob a anistia. Esta é a acusação contra as integrantes do Pussy Riot Nadezhda Tolokonnikova e Maria Alyokhina, que cumprem pena de dois anos de prisão devido ao protesto que realizaram contra Putin dentro de uma catedral.
– Tenha grande esperança que sim. Caso as autoridades prisionais atrasarem isso, vamos tomar medidas – disse a advogada de Tolokonnikova, Irina Khrunova, quando perguntada se acreditava que sua cliente, que tem previsão de soltura em março, seria solta até 1º de janeiro.
Trinta pessoas presas após um protesto do Greenpeace em uma plataforma de petróleo no Ártico, em setembro, também são acusadas de vandalismo, pelo que podem ser condenadas a até sete anos de prisão. Todas as 30, incluindo uma brasileira, foram soltas sob fiança mas ainda aguardam julgamento.
Mikhail Fedotov, chefe do conselho sobre direitos humanos do Kremlin, disse acreditar que os detidos pelo protesto do Greenpeace são elegíveis à anistia. Um funcionário da Câmara dos Deputados, que pediu anonimato, também disse crer que os 30 seriam beneficiados.
Na Ucrânia
O gesto de Putim poderá acelerar a retomada do controle, por parte do governo da Ucrânia, dos espaços tomados por mais de 2 mil manifestantes, em Kiev. Nesta terça-feira, juntos às fogueiras acesas no meio da neve em seu acampamento, em Kiev, nesta terça-feira, uma multidão desafiava as forças policiais que durante a noite expulsaram os ativistas para longe dos prédios públicos.
O protesto é contra a aproximação da Ucrânia à Rússia, em lugar da União Europeia, com a qual o governo vinha negociando há anos. Dezenas de agentes da tropa de choque removeram as barricadas que sitiavam a sede da Presidência, os ministérios e o Parlamento. Os manifestantes se reagruparam na Praça da Independência, no centro de Kiev, onde armaram um acampamento com barracas e um palco onde cantores e oradores se revezam 24 horas por dia.
A bandeira presidencial, azul com um tridente dourado no centro, tremulou em frente ao gabinete, sinalizando que Viktor Yanukovich está trabalhando – possivelmente pela primeira vez desde que os protestos começaram, em 21 de novembro, por causa da decisão dele de não assinar um acordo de associação com a União Europeia, favorecendo uma maior aproximação com a Rússia.
Os manifestantes temiam que a chegada da tropa de choque policial, na segunda-feira, prenunciasse uma repressão, mas não se repetiu a violência da semana passada, quando dezenas de ativistas ficaram feridos.
Enquanto a crise ameaça uma economia já em crise, Yanukovich se prepara para conversar na terça-feira com três ex-presidentes ucranianos. Também na terça-feira, ou então na quarta-feira, ele deve se reunir com a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.
Ilya Shutov, ex-mineiro da cidade de Donetsk, no leste, disse que os manifestantes permanecerão acampados até que Yanukovich renuncie.
– Éramos a favor do acordo de associação com a UE porque achamos que ele obrigaria nossas autoridades a serem civilizadas. Sua recusa à Europa é a recusa a serem civilizados. Nosso objetivo é nos livrarmos de autoridades como as soviéticas – disse.
Em visita a Moscou, a subsecretária norte-americana de Estado, Victoria Nuland, reiterou o apelo por calma em Kiev, e acrescentou que a Rússia deveria "usar sua influência para pressionar pela paz, a dignidade humana e uma solução política", segundo nota da embaixada dos EUA em Moscou.
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