Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov sinalizou nesta quinta-feira que seu governo pretende dar um crédito e espaço para o diálogo com o Irã, antes da adoção de eventuais sanções econômicas. Segundo o chancheler, a expectativa é a de que o Irã preste as informações sobre o acordo que estabelece a troca de urânio para a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). As informações são da agência chinesa de notícias Xinhua.
– Queremos ver o Irã honrar claramente seus compromissos e enviar o mais rapidamente possível um recurso oficial por escrito à Aiea, de modo que um procedimento de troca de combustível seja acordado – disse Lavrov, em visita a Roma, nesta tarde (horário de Brasília).
Lavrov evitou mencionar a possibilidade de veto às sanções no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Na terça-feira, ao apresentar um esboço de resolução de sanções, os Estados Unidos obtiveram manifestações favoráveis dos representantes da Rússia, China, da França e do Reino Unido.
Quase 24 horas depois, o ministro russo demonstrou cautela e pediu que todas as opiniões presentes no Conselho de Segurança – incluindo as dos dez membros não permanentes, entre eles o Brasil e a Turquia – sejam respeitadas.
– Vamos tratar as posições dos outros membros do Conselho de Segurança da forma mais respeitosa (possível). Tais questões devem ser resolvidas por meio de um consenso – disse ele.
Em seguida, Lavrov acrescentou que há "uma chance (de buscar o consenso) depois que o presidente do Brasil e o primeiro-ministro da Turquia, Tyyiq Erdogan, chegaram a um acordo com o Irã".
No último dia 17, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, além do primeiro-ministro da Turquia, negociaram o acordo em Teerã. Segundo o documento, o governo iraniano enviará o urânio enriquecido a 3,5% para ser depositado na Turquia. Em troca, no prazo de até um ano, receberá urânio enriquecido a 20%. A ideia é que a iniciativa afaste as suspeitas sobre o programa nuclear do Irã e evite a imposição de punições contra o país.