A Câmara alta do parlamento russo autorizou nesta quarta-feira o uso das Forças Armadas do país no estrangeiro. Segundo o Kremlin, isto somente envolve operações da Força Aérea.
O chefe da Administração Presidencial da Rússia Sergei Ivanov informou que o presidente sírio Bashar Assad pediu ajuda militar à Rússia.
– Somente falamos de operações da Força Aérea russa, segundo já disse o nosso presidente, o uso das Forças Armadas no teatro terrestre de operações militares está excluído. O objetivo militar dessa operação é exclusivamente o apoio aéreo para as forças governamentais da Síria na sua luta contra o Estado Islâmico – disse Ivanov.
– O primeiro e, provavelmente, o mais importante é que falamos só da Síria e não falamos de alcançar quaisquer objetivos de política externa ou satisfazer quaisquer ambições, de que nos acusam os nossos parceiros ocidentais, somente falamos dos interesses nacionais da Rússia – acrescentou.
Comentando os ataques aéreos realizados pelos países ocidentais, Ivanov destacou que estes não correspondem às normas do direito internacional.
– Como todos vocês sabem, os Estados Unidos…estão realizando ataques aéreos em território da Síria, do Iraque e, se calhar, em outros países do Oriente Médio. Recentemente a França se juntou às mesmas ações, a Austrália e um leque de outros países estão falando no mesmo sentido. Queria notar um aspeto principal: todas essas ações são realizadas violando o direito internacional – disse aos jornalistas Ivanov.
– Nós informaremos (os nossos parceiros estrangeiros sobre a decisão do parlamento relativamente ao uso das Forças Armadas da Rússia no estrangeiro) durante o dia através dos canais do Ministério das Relações Exteriores, e a mesma coisa será feita pelos militares – disse o vice-chanceler russo Mikhail Bogdanov.
A inteligência russa tem dados para detectar as posições de terroristas e a Força Aérea da Rússia é capaz de efetuar ataques aéreos mais poderosos e precisos do que a Força Aérea da coalizão liderada pelos EUA, opina o presidente da Associação Internacional de Veteranos das Forças Especiais antiterroristas Alfa, Sergei Goncharov.
Segundo a Embaixada dos Estados Unidos na Rússia, os líderes dos EUA e da Rússia têm interesses comuns na luta contra o Estado Islâmico na Síria e concordaram em criar um canal de informação entre os militares dos dois países para evitar a falta de compreensão durante operações na área.
– Queria somente reiterar que, quando o presidente Obama se encontrou com o presidente Putin, concordaram que os Estados Unidos e a Rússia têm interesses comuns na luta contra o Estado Islâmico na Síria – disse o porta-voz da embaixada norte-americana na Rússia, Will Stevens.
– Todavia, a nossa posição é clara: o presidente Assad não é um parceiro adequado para combater contra o terrorismo e extremismo na Síria. Não há um caminho sustentável para a estabilidade na Síria que envolva o presidente Assad permanecendo no poder – acrescentou.
De acordo com a Fox News, citando um oficial norte-americano de alto escalão, a Rússia exigiu que os aviões dos EUA deixem imediatamente a Síria.
O porta-voz do presidente russo Dmitry Peskov disse que a Rússia será o único país que realiza uma operação na Síria numa base legítima, a pedido das autoridades daquele país.
Os ataques aéreos das Forças Armadas da Rússia na Síria ajudarão o exército sírio na luta contra o terrorismo, Damasco esperava há muito tempo a ajuda de Moscou, disse o conselheiro político do ministro da Informação da República Árabe da Síria.
Na manhã desta quarta-feira, o presidente russo Vladimir Putin pediu a permissão do Conselho da Federação russo para usar as Forças Armadas russas fora do país.
Em 25 de setembro foi tornado público que militares russos, sírios e iranianos organizaram em Bagdá um centro de coordenação para cooperar a luta contra a organização terrorista Estado Islâmico. Os objetivos principais do centro são prestar informações sobre o número de militantes do Estado Islâmico, seus armamentos e movimentações.
No início desta semana se tornou conhecido que o novo centro começará a funcionar em outubro ou novembro e será encabeçado por oficiais da Rússia, Síria, Iraque e Irã em regime rotativo.