Rio de Janeiro, 21 de Setembro de 2026

Rússia inicia julgamento de magnata do petróleo

Quarta, 16 de Junho de 2004 às 06:15, por: CdB

O homem mais rico da Rússia, o magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky, começou a ser julgado nesta quarta-feira sob a acusação de fraude e evasão fiscal. Segundo seus advogados, o caso foi alimentado pelo governo russo e o empresário deve perder.

Khodorkovsky, principal proprietário da empresa petrolífera Yukos, compareceu a uma corte de Moscou ao lado de seu sócio Platon Lebedev, outro grande acionista da gigante de petróleo.
Ambos enfrentam acusações semelhantes nesse que promete ser um dos julgamentos mais importantes realizados no país desde o colapso da União Soviética, em 1991.

Segundo alguns críticos, o caso também deve se revelar um julgamento ao estilo soviético para advertir outros "oligarcas" - homens que fizeram fortunas com a privatização da economia comunista - a não sair da linha traçada pelo governo russo.

Khodorkovsky, vestindo uma jaqueta de couro marrom, estava algemado a um guarda e agarrado a uma pasta com documentos. Dentro do prédio do tribunal, ele acenou para parentes, repórteres e advogados.

A queda do empresário russo de 40 anos é considerada por analistas como o trabalho da facção linha-dura do Kremlin (sede do governo da Rússia), que teme a possibilidade de o magnata usar sua fortuna para intervir nos assuntos públicos e minar o poder dos dirigentes russos.

O julgamento também promete ser um teste para o presidente do país, Vladimir Putin, segundo o qual a evasão fiscal não seria tolerada. Um membro da equipe de advogados de Khodorkovsky afirmou haver poucas dúvidas de que ele e Lebedev seriam condenados a penas de prisão de até dez anos.

A ações da Yukos chegaram a cair 12% nesta quarta-feira depois de terem sofrido uma queda de 16 por cento no dia anterior. A empresa corre o risco de entrar em falência. Na última sexta-feira, uma corte de apelação determinará se a Yukos tem ou não a obrigação de pagar imediatamente 3,4 bilhões de dólares em impostos atrasados, segundo exigem autoridades. Espera-se que a Justiça fique do lado do governo.

Nesse caso, a empresa se veria impossibilitada de cumprir a ordem porque uma outra corte bloqueou todos os seus bens. Os investidores parecem apostar na hipótese da falência.

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