Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2026

Rússia expulsa quatro diplomatas britânicos

Quinta, 19 de Julho de 2007 às 16:29, por: CdB

A Rússia decidiu expulsar quatro diplomatas britânicos, em um acirramento da disputa em torno da recusa de Moscou em extraditar o principal suspeito pelo assassinato do ex-espião russo Alexander Litvinenko, ocorrido em Londres.

Pivô da disputa, Andrei Lugovoi é acusado de ter tido participação no homicídio do também ex-espião russo Alexander Litvinenko, que morreu na capital britânica em novembro passado depois de ter sido envenenado com o elemento radioativo polônio-210.

Na segunda-feira, o governo britânico havia determinado a expulsão de quatro diplomatas russos.

Pela decisão russa, anunciada pelo porta-voz do Ministério do Exterior russo, Mikhail Kamynin, os diplomatas devem deixar o país em dez dias.

Kamyin disse ainda que ficam suspensas a cooperação em assuntos de segurança entre os dois países e a concessão de vistos a funcionários do governo britânico - medidas também tomadas pela Grã-Bretanha.

O governo russo havia advertido a Grã-Bretanha de que a expulsão dos diplomatas teria "graves conseqüências".

'Contínua decepção'

Ainda nesta quinta-feira, o Ministério do Exterior russo chamou o embaixador da Grã-Bretanha em Moscou, Tony Brenton, para dar "certas mensagens" que deveriam a ser repassadas à chancelaria britânica.

Brenton disse que deixou claro durante o encontro a "contínua decepção" do governo britânico com a reação russa ao pedido de extradição de Lugovoi e a "contínua esperança" de que a Rússia "encontre uma forma de cooperar".

A morte de Alexander Litvinenko, aos 43 anos, provocou grande preocupação em Londres, onde locais freqüentados pelo ex-espião antes de morrer tiveram que ser testados para detectar a presença de radioatividade, e estremeceu as relações diplomáticas entre Rússia e Grã-Bretanha.

Vestígios da substância radioativa que teria causado a morte de Litvinenko foram encontrados em diversos locais frequentados por Lugovoi.

Lugovoi, por sua vez, também nega as acusações de que envenenou Litvinenko. Uma convenção assinada em 1957 garante aos russos o direito de se recusar a extraditar um cidadão do país.

A Grã-Bretanha tem o direito de pedir que Lugovoi seja julgado na Rússia, mas o diretor da Promotoria Pública, Ken Macdonald, já indicou que isso não vai ocorrer.
 

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