Ana Paula Maciel continuará presa até que seja concluído o processo movido contra ela, assegura fonte
Apesar dos esforços do Ministério das Relações Exteriores que, segundo nota do Itamaraty, seguirá prestando toda a assistência à bióloga brasileira Ana Paula Maciel, acusada de pirataria depois de ser presa com mais 29 militantes da organização não governamental Greenpeace, "a legislação russa é muito rígida com o crime de que são acusados os ativistas", afirmou uma fonte, com acesso ao processo, que tramita em um tribunal de Murmansk, no norte do país. Durante protesto contra a exploração de petróleo no Ártico, os integrantes da Organização Não Governamental (ONG) teriam sido presos com armas e drogas, em um barco. O Greenpeace nega qualquer irregularidade.
Em sua conta no Twitter, o Itamaraty disse que “não medirá esforços para buscar solução rápida para o caso”:
"O Itamaraty e a Embaixada do Brasil em Moscou acompanham o caso da ativista brasileira Ana Paula Maciel desde a sua prisão na Rússia. Como resultado das gestões da diplomacia brasileira, permitiu-se que Ana Paula telefonasse para sua família", informou o ministério.
Na véspera, a presidenta Dilma Rousseff solicitou ao ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, contato de alto nível (entre as cúpulas governamentais) com a Rússia para encontrar uma solução para o caso da brasileira.
“Determinei ao Ministério das Relações Exteriores que desse toda a assistência à brasileira Ana Paula Maciel, detida na Rússia durante protesto ambiental”, escreveu Dilma, em sua conta no Twitter. “Solicitei ao ministro Figueiredo contato de alto nível com o governo russo para encontrar solução para Ana Paula”, acrescentou.
A intervenção direta da presidenta brasileira, no entanto, não teria surtido qualquer efeito junto aos meios jurídicos russos, segundo garantiu aquela fonte ao Correio do Brasil, durante entrevista por telefone. A tendência é que o processo seja levado de forma célere, "mas com pouca ou nenhuma chance de que uma intervenção política, ou na esfera diplomática, surta qualquer efeito positivo".
– Nenhum dos tripulantes será libertado, na realidade. Haverá um julgamento e, somente após a sentença, se for considerada inocente, a prisioneira brasileira será libertada. Caso julgada em contrário, cumprirá as penas previstas em lei, que é muito dura – disse a fonte, que prefere não ser identificada.
Ana Paula foi detida em Murmansk, no Norte da Rússia, no dia 18 de setembro. Os ativistas eram tripulantes do navio quebra-gelo Arctic Sunrise e estavam no local para protestar contra a estatal russa Gasprom. Os ativistas foram presos ao tentar escalar a plataforma Prirazlomnaya, que é a primeira em alto-mar na região e, segundo a organização, tem previsão para começar a operar no próximo ano.
Prisão preventiva
Em linha com o que informou a fonte ao CdB, os dois britânicos detidos na Rússia devido a um protesto do Greenpeace foram mantidos em prisão preventiva nesta sexta-feira, na primeira derrota para os estrangeiros, incluindo a militante Paula Maciel, entre as 30 pessoas detidas que solicitam o direito a fiança.
O cinegrafista freelancer Kieron Bryan e o ativista do Greenpeace Phillip Ball, acusados de pirataria como todos, haviam apresentado recurso contra a decisão de prisão até o final de novembro. A corte na cidade portuária de Murmansk, norte da Rússia, já havia negado fiança a quatro russos presos durante o protesto em 18 de setembro, no qual um barco do Greenpeace foi abordado por forças de segurança quando os ativistas tentavam escalar uma plataforma de petróleo de propriedade da Gazprom no Ártico.
Investigadores disseram que acusações adicionais seriam feitas contra alguns dos detidos após buscas no barco encontrarem drogas e outros itens suspeitos. O Greenpeace nega que houvesse itens ilegais a bordo.
O presidente Vladimir Putin já afirmou que os ativistas não são piratas, mas haviam violado a lei internacional. O chefe do órgão de direitos humanos do Kremlin disse que pediria aos promotores para retirar as acusações de pirataria.
O Greenpeace diz que o protesto foi pacífico e que as acusações de pirataria são absurdas e infundadas. Além de Brasil, entre os detidos há cidadãos da Argentina, Austrália, Canadá, Dinamarca, EUA, França, Holanda, Itália, Nova Zelândia, Suíça e Turquia, informou a Greenpeace.
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