Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

Rússia e EUA discutem acordo sobre armas químicas da Síria

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, desembarcou nesta quinta-feira em Genebra para escutar os planos da Rússia destinados a destituir a Síria do seu arsenal químico e poupar o país do Oriente Médio de um ataque dos EUA.

Quinta, 12 de Setembro de 2013 às 07:43, por: CdB
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A Síria, que nega ter cometido o ataque, concordou com a proposta russa de abrir mão das armas químicas
O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, desembarcou nesta quinta-feira em Genebra para escutar os planos da Rússia destinados a destituir a Síria do seu arsenal químico e poupar o país do Oriente Médio de um ataque dos EUA. Autoridades dos EUA dizem que Kerry insistirá que o eventual acordo obrigue Damasco a tomar atitudes rápidas para mostrar a seriedade do seu compromisso, a começar pela apresentação de um inventário público e completo do arsenal a ser inspecionado e neutralizado. A iniciativa russa, que dá novos rumos para uma guerra civil iniciada há dois anos e meio, convenceu o presidente dos EUA, Barack Obama, a suspender seus planos de bombardear a Síria para punir o governo de Bashar al-Assad pelo suposto uso de armas químicas contra civis, que teria matado mais de 1.400 pessoas em 21 de agosto. A Síria, que nega ter cometido o ataque, concordou com a proposta russa de abrir mão das armas químicas, evitando o que seria a primeira intervenção ocidental direta num conflito que já matou 100 mil pessoas. Damasco nunca aderiu aos tratados que proíbem a posse de armas químicas, e nunca confirmou se as possuía. A Síria, no entanto, é signatária de uma convenção quase centenária que proíbe o uso de armas químicas. Falando antes da reunião de Kerry com o chanceler russo, Sergei Lavrov, uma fonte oficial dos EUA disse, sob anonimato, que o objetivo do norte-americano é "ver se há realidade aqui ou não". As fontes dos EUA disseram ter a esperança de que Kerry e Lavrov definam os termos de uma proposta de resolução a ser votada nos próximos dias pelo Conselho de Segurança da ONU. Intervenção militar O presidente russo, Vladimir Putin, tradicionalmente apontado como um vilão pelos governos ocidentais por fornecer armas a Assad e evitar qualquer esforço da ONU para desalojá-lo do poder, publicou um artigo no jornal The New York Times manifestando oposição à intervenção militar. Ele argumentou à opinião pública dos EUA que um ataque a Assad ajudaria combatentes da Al Qaeda que lutam ao lado da oposição síria. Segundo Putin, há "poucos paladinos da democracia" na Síria, "mas há mais do que suficientes combatentes da Al Qaeda e extremistas de todos os tipos enfrentando o governo". A intervenção norte-americana, acrescentou, "aumentaria a violência e desencadearia uma nova onda de terrorismo", além de possivelmente "abalar os esforços multilaterais para resolver o problema nuclear iraniano e o conflito israelo-palestino, e desestabilizar ainda mais o Oriente Médio e o Norte da África. Isso poderia desequilibrar todo o sistema do direito internacional". Putin repetiu afirmações de seu governo e Damasco de que um ataque com armas químicas em agosto, que os EUA dizem ser culpa do governo do presidente Bashar al-Assad, foi provavelmente um ato das forças de oposição, em busca de uma intervenção externa. Putin advertiu contra uma ação militar sem autorização do Conselho de Segurança da ONU, dizendo: "Temos que parar de usar a linguagem da força". "O eventual ataque dos Estados Unidos contra a Síria, apesar da forte oposição de muitos países e dos principais líderes políticos e religiosos, incluindo o papa, irá resultar em mais vítimas inocentes e na escalada da violência, potencialmente espalhando o conflito para muito além das fronteiras da Síria", escreveu Putin. Acordo com Assad Em entrevista a uma TV russa, o presidente Assad afirmou, nesta quinta-feira, que a decisão da Síria de ceder o controle de suas armas químicas foi resultante da proposta russa "e não da ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos" segunda a agência russa de notícias Interfax. – A Síria está colocando suas armas químicas sob o controle internacional por causa da Rússia. As ameaças dos EUA não influenciaram a decisão – disse Assad na entrevista ao canal estatal russo Rossiya-24, de acordo com a Interfax. Um conselho da liderança rebelde síria apoiado pelo Ocidente, porém, rejeitou a proposta russa de colocar as armas químicas da Síria sob controle internacional, disse o grupo em uma declaração em vídeo. Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU reuniram-se em Nova York na quarta-feira para discutir o plano, que teria como objetivo eliminar os estoques de armas químicas da Síria e evitar um ataque militar dos EUA. – Nós anunciamos nossa rejeição definitiva à iniciativa russa de colocar armas químicas sob custódia internacional – disse Salim Idriss, chefe do Conselho Militar Supremo dos rebeldes, em um vídeo veiculado na Internet na noite de quarta-feira. Acompanhado por quatro líderes rebeldes, Idriss disse que o presidente sírio, Bashar al-Assad, deve ser responsabilizado depois que a Síria admitiu pela primeira ter a posse de armas químicas – algo que o país diz que precisava para enfrentar o suposto arsenal nuclear de Israel. – Pedimos que a comunidade internacional não se contente com a retirada de armas químicas, que são um instrumento criminoso, mas que responsabilize o perpetrador e o processe no Tribunal Penal Internacional – disse Idriss. Mais de 100 mil pessoas morreram no conflito de dois anos e meio de duração na Síria, a esmagadora maioria morta por armas convencionais. O levante começou como um movimento de protesto pacífico contra as quatro décadas de governo da família Assad, mas transformou-se em uma guerra civil após a repressão do governo.
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