Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Rússia diz que Síria estaria de acordo com uma conferência de paz

A Rússia afirmou nesta sexta-feira que o governo sírio havia concordado, em princípio, em participar de uma conferência internacional de paz proposta por Rússia e Estados Unidos, e criticou o que chamou de tentativas de minar os esforços de paz.

Sexta, 24 de Maio de 2013 às 10:25, por: CdB
siria7.jpg
A Rússia afirmou nesta sexta-feira que o governo sírio havia concordado
A Rússia afirmou nesta sexta-feira que o governo sírio havia concordado, em princípio, em participar de uma conferência internacional de paz proposta por Rússia e Estados Unidos, e criticou o que chamou de tentativas de minar os esforços de paz.
– Damasco manifestou sua disponibilidade, em princípio, para participar da conferência internacional para que os próprios sírios encontrem um caminho político e uma solução – disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Alexander Lukashevich.
O vice-chanceler da Síria, Faisal Mekdad, disse após reunião em Moscou na quarta-feira que o governo vai decidir em breve se participará da conferência destinada a colocar juntos representantes do governo e da oposição para conversar.
Lukashevich disse que a ação internacional, incluindo a resolução de 15 de maio da Assembleia Geral da ONU que elogiou a oposição e condenou as forças do presidente Bashar al-Assad, "essencialmente levaram (a oposição) a rejeitar as negociações".
A Rússia tem blindado Assad durante os mais de dois anos de um conflito que já matou pelo menos 80 mil pessoas na Síria, opondo-se a sanções contra o governo sírio, entregando armas, e bloqueando, junto com a China, três resoluções apoiadas pelo ocidente no Conselho de Segurança da ONU.
Acusações infundadas
Ainda na questão Síria, o Irã negou nesta sexta-feira ter forças no país em apoio ao Exército do presidente al-Assad, um dia após parceiros estrangeiros dos rebeldes que lutam contra o governo terem exigido que Teerã retirasse seus combatentes do território sírio.
– Os verdadeiros inimigos da Síria criam essas acusações para provocar as pessoas deste país – disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Abbas Araqchi, segundo a televisão estatal iraniana.
Em reunião na Jordânia na quinta-feira, o grupo Amigos da Síria, formado por governos ocidentais e árabes, exigiu a retirada imediata da Síria dos combatentes iranianos e guerrilheiros do Hezbollah, do Líbano.
Eles estariam lutando ao lado do Exército sírio e de milícias leais a Assad na cidade de Qusair, perto da fronteira com o Líbano.
"Em resposta a uma pergunta sobre as acusações de que as forças iranianas e do Hezbollah estão presentes na Síria, Abbas Araqchi disse que as forças iranianas nunca estiveram e não estão presentes na Síria", disse a televisão estatal.
O Irã, um país muçulmano xiita, é o principal aliado de Assad e forneceu dinheiro, armas, inteligência e treinamento para as forças sírias contra uma revolta principalmente de muçulmanos sunitas, num conflito que já deixou mais de 80 mil mortos em dois anos.
A Rússia e os Estados Unidos estão tentando organizar uma conferência internacional de paz para acabar com a guerra. Moscou defende a participação do Irã, mas reservas ocidentais sobre a presença de Teerã já ameaçam inviabilizar a conferência.
O Irã defende eleições e reformas na Síria, mas não aceita o afastamento de Assad, dizendo que a solução para a crise não pode ser imposta de fora. Teerã acusa as nações ocidentais e árabes de armarem os grupos de oposição.
Analistas dizem que a perda do aliado sírio enfraqueceria a capacidade do Irã de ameaçar o inimigo Israel através Hezbollah.
Tags:
Edições digital e impressa