Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Rússia deve votar pela continuidade do trabalho de Putin

Dmitry Medvedev, candidato governista, é favorito na eleição de domingo.

Quinta, 28 de Fevereiro de 2008 às 06:24, por: CdB

Quando forem às urnas, neste domingo, os russos estarão votando pela continuidade. O candidato do partido governista Rússia Unida, Dmitry Medvedev, que ocupa o cargo de vice-primeiro-ministro e é também presidente da gigante de energia Gazprom, é o favorito para vencer as eleições presidenciais no país. De acordo com a previsão do Centro Russo de Opinião Pública, Medvedev deve faturar 73,5% dos votos, mais do que o obtido pelo próprio Putin (71,3%) ao ser eleito para o seu segundo mandato, em 2004.

Já segundo uma pesquisa realizada no início de fevereiro pelo Centro Levada, um outro instituto de pesquisa, Medvedev poderia ganhar entre 58% e 80% dos votos - a porcentagem mais alta foi obtida quando apenas os que declararam intenção de votar foram levados em conta.

Os principais rivais na corrida presidencial - o comunista Gennady Zyuganov e o nacionalista Vladimir Zhirinovsky - devem levar, também segundo o Centro Russo de Opinião Pública, 13,5% e 11,6% respectivamente. Se parte da explicação para tal diferença pode estar na falta de uma oposição mais forte e na falta de um debate eleitoral mais profundo, não há dúvidas de que o favoritismo de Medvedev se deve à popularidade de Putin, que deixa o governo com uma taxa de aprovação de 80%.

- Eu estou contente com tudo. Eu quero que tudo fique do jeito que está, afirma a estudante Maria Stroilova, de 19 anos.

Para o jornalista Rodrigo Fernandez, que vive na Rússia há 40 anos e trabalha como correspondente do espanhol El País há quase 20, é natural que os russos votem pela continuidade. Os russos estão contentes porque a liberdade, aqui, se entende de outra maneira da que se entende no Ocidente.

- O russo jovem, comum, o que tem entre 18 e 40 anos, se sente completamente livre. Ele pode ir aonde quer, ele pode ir ao aeroporto e viajar para o país que quer, ele pode comprar o que quer, ele pode ler o que quer, pode encontrar o que quer também no plano intelectual - afirma. E não podemos nos esquecer que esse povo viveu anos, dezenas de anos debaixo de uma ditadura férrea, na qual não havia nenhuma dessas liberdades, nem mesmo a liberdade de comprar carne, porque não havia carne nos supermercados. Então, o russo relativamente jovem está muito satisfeito - completa.

País Forte

Para o analista internacional Anatoly Sosnovsky, a popularidade do atual governo se deve também ao fato de ter feito com que a população recuperasse o orgulho pelo próprio país. Ele afirma que na época do governo de transição de Boris Yeltsin, os russos viveram uma crise econômica, uma crise social, uma crise de confiança e uma crise de identidade. As gerações se acostumaram a viver num grande país e, graças à propaganda soviética, pensavam que faziam parte de uma grande potência mundial.

De repente, se viram em um país com padrões (de vida) comparáveis à África e à Ásia, afirma. Por isso, para ele, o grande trunfo de Putin foi fazer com que a Rússia voltasse a ser percebida, dentro e fora, como um país forte e com grandes perspectivas. Durante o governo de Putin, a Rússia se tornou um país bem mais próspero economicamente.

Isso se deu, em grande parte, aos preços altos do petróleo - o barril custava menos de US$ 20 quando ele chegou ao poder e hoje passa dos US$ 100 - e do gás, recursos que o país tem em abundância. Por outro lado, críticos apontam para a queda da liberdade de expressão durante a atual administração.

Segundo um documento divulgado nesta semana pela Anistia Internacional, a redução foi alarmante. O relatório diz que várias organizações independentes de mídia foram fechadas, que assassinatos de jornalistas não são elucidados e que a polícia tem atacado manifestantes de oposição. Mas para o jornalista Rodrigo Fernandez, isso não preocupa a maioria dos russos.

- (O jovem russo) não está disposto a colocar em jogo o atual bem-estar (gerado pela liberdade econômica) em troca d

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