Rússia desconfia de notícias sobre ataque com armas químicas na Síria
O governo da Rússia desconsiderou as notícias sobre o emprego de armas químicas nos arredores de Damasco por forças do governo do presidente Bashar Al Assad.
Imagem mostra corpos de possíveis vítimas de armas químicas na Síria, mas as imagens não puderam ser confirmadas por fontes independentes
O governo da Rússia desconsiderou as notícias sobre o emprego de armas químicas nos arredores de Damasco por forças do governo do presidente Bashar Al Assad e afirmou que visam impedir a realização de uma conferência internacional sobre a Síria.
– Pelos dados que temos, nenhum país tem a confirmação desses dados. Há apenas notícias de canais de televisão regionais e árabes, bem como de uma série de meios de informação – declarou o porta-voz da diplomacia russa, Alexandre Lukachevitch.
Comentando as afirmações de dirigentes franceses de que é possível intervir na Síria sem a sanção do Conselho de Segurança das Nações Unidas, Lukachevitch afirmou que "todos partem do princípio de que só uma decisão do Conselho de Segurança da ONU pode sancionar o emprego da força". O MNE da Rússia desmentiu a notícia de que Moscou teria bloqueado uma resolução desse órgão da ONU.
O diplomata disse também que no conflito da Síria participam entre 6 a 40 mil mercenários, originários de cerca de 80 países, contratados por nações e corporações ocidentais.
– Vi alguns dados não confirmados, cálculos de analistas e peritos, que mostram que a quantidade de mercenários pode ir de 6 a 40 mil. Isso é um número colossal – frisou o diplomata.
Tragédia anunciada
Segundo analistas russos, as notícias sobre os ataques com armas químicas foram 'plantadas' pelo Pentágono na mídia "para tentar justificar perante a opinião pública mundial um ataque militar a um país soberano, exatamente como fizeram no Iraque e na Líbia. O velho roteiro é o mesmo", afirma o autor do blog Marcha Verde, em texto publicado nesta quinta-feira.
"O recente ataque a Ghouta é uma tragédia anunciada. Meses atrás, policiais turcos encontraram armas químicas com os chamados rebeldes sírios (mercenários financiados por EUA e Israel para promover ataques terroristas na Síria). As armas foram fotografadas, as fotos publicadas em diversos sites e jornais, mas nem assim as Nações Unidas se preocuparam em fazer uma investigação séria sobre os fatos. Em algumas vilas e cidades sírias existem relatos de utilização de armas químicas pelos rebeldes, algumas fornecidas por Israel. Entretanto, governos dos EUA, Israel, Inglaterra, França, Qatar e Arábia Saudita são os verdadeiros financiadores dos bandos mercenários que utilizam essas armas. São eles os mandantes e cúmplices de crime contra o povo sírio e contra a própria humanidade - conforme determinam as leis internacionais", afirma o autor.
O Conselho de Segurança da ONU destacou, na véspera, a necessidade de esclarecer as alegações sobre um suposto ataque com armas químicas nos arredores de Damasco e afirmou que "a situação deve ser seguida com bastante cuidado". A instância, de 15 países-membro, reuniu-se de forma emergencial e expressou "forte preocupação" com as notícias relacionadas ao emprego desse tipo de armamento na Síria e reiterou a demanda por um fim das hostilidades no país árabe. A embaixadora da Argentina na ONU, María Cristina Perceval, atual presidenta do Conselho de Segurança, disse aos jornalistas que todos os membros do Conselho defendem uma investigação "imparcial" sobre as alegações.
Perceval também sublinhou que o emprego desse tipo de armamento, por qualquer bando e circunstância, viola a lei internacional e pediu que as vítimas tenham acesso imediato à ajuda internacional. Por sua vez, o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, informou que a equipe de especialistas que investiga as denúncias de uso de armas químicas na Síria está à espera da permissão das autoridades para dirigir-se à area indicada pelas alegações.
Cautela
O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, propôs que se observe com prudência a divulgação de informações sobre o uso de armas químicas contra civis na periferia de Damasco. Segundo ele, é necessário aguardar a conclusão dos trabalhos dos peritos da Organização das Nações Unidas (ONU), que estão no país verificando a possibilidade de uso de armas químicas para avaliar a situação como um todo. Patriota, porém, lamentou as suspeitas sobre uso de armas químicas em Ghouta, na zona leste de Damasco, que teriam matado pelo menos 100 pessoas nesta quarta-feira. Para o chanceler, o ideal é buscar um acordo na região a partir de uma agenda diplomática desenvolvida pelos integrantes do grupo liderado pelo enviado especial das Nações Unidas e da Liga Áraba à Síria, Lakhdar Brahimi, na chamada Conferência Genebra 2, promovida pela Rússia e pelos Estados Unidos.
O governo brasileiro acompanha a situação na Síria por intermédio de informações do encarregado de negócios no país, o diplomata Bruno Carrilho. O diplomata está em Beirute, capital do Líbano, que faz fronteira com a Síria e envia dados diários ao Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty.
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