A Rússia marcou a vitória na Segunda Guerra Mundial nesta segunda-feira com um show de orgulho patriótico por seu papel no conflito e com paradas militares na Praça Vermelha. O presidente Vladimir Putin assistiu lado a lado com seu colega norte-americano, George W. Bush, à passagem de unidades militares e veteranos de guerra, ao som de música marcial.
Putin - para quem a cerimônia foi um raro momento glorioso após um período marcado por relações difíceis com Washington e seus ex-aliados soviéticos - declarou que o mundo devia "grandes agradecimentos" aos quase 27 milhões de cidadãos soviéticos que morreram.
Embora prestando homenagens aos aliados norte-americanos, britânicos e franceses, ele afirmou que as lutas mais cruéis ocorreram no solo soviético.
-A dor veio para cada casa, cada família - disse.
Putin fez um discurso em que pediu a preservação da ordem mundial. "A História nos ensina que Estados e povos devem fazer tudo para não deixar passar o nascimento de novas doutrinas mortíferas, o crescimento de novas ameaças", disse o presidente da Rússia.
O chefe do Kremlin resssaltou que "as lições daquela guerra ensinam que a colaboração com a violência e a indiferença conduzem a horríveis tragédias de escala mundial".
"Diante das ameaças reais do terrorismo estamos obrigados a preservar uma ordem mundial baseada na segurança, na justiça e em uma nova cultura de relações que impeça a repetição de guerras quentes ou frias", destacou.
Putin disse que a Rússia jamais esquecerá da "ajuda dos aliados, dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, da França e de outros Estados da coalizão antihiteriana, dos antifascistas alemães e italianos" e prestou tributo "ao valor de todos os europeus que lutaram contra o nazismo".
"Nunca dividimos a vitória em a nossa e a alheia", ressaltou, mas acrescentou que "nos anos da guerra a União Soviética perdeu dezenas de milhões de seus cidadãos. Todos os povos e todas as repúblicas da URSS sofreram perdas irreparáveis".
Forças de segurança russas montaram um cordão de isolamento ao redor do centro da cidade e isolaram a área do Kremlin e da Praça Vermelha por temor a ataques de rebeldes chechenos.
Entre os líderes mundiais na celebração estavam o francês Jacques Chirac, o chinês Hu Jintao, o alemão Gerhard Schroeder e o japonês Junichiro Koizumi.
Os países bálticos disseram, contudo, que a derrota da Alemanha nazista significou para eles o começo de uma segunda tirania, sob o domínio soviético.
O presidente polonês, Aleksander Kwasniewski, também afirmou que o triunfo russo não tinha o mesmo significado para o seu povo.
- Para os poloneses, (a vitória russa) está ligada a uma perda significativa de soberania e à repressão stalinista - disse ele.