Os militares russos disseram nesta terça-feira que os monitores da União Européia não terão acesso imediato à "zona de segurança" estabelecida por Moscou dentro da Geórgia. Tbilisi reagiu acusando os russos de estarem protelando a desocupação prometida em agosto.
A Rússia estabeleceu zonas-tampão em torno das repúblicas separatistas georgianas da Ossétia do Sul e Abkházia depois da guerra de cinco dias contra a Geórgia no mês passado. Pouco depois, Moscou reconheceu a independência das duas províncias separatistas. Tanto a ação militar quanto o reconhecimento diplomático foram duramente criticados pelo Ocidente.
Os monitores da UE querem substituir as forças de ocupação nas chamadas "zonas de segurança", mas os militares russos dizem que um acordo técnico sobre o acesso ainda não foi finalizado.
– A partir de amanhã, representantes da União Européia vão começar a realizar o monitoramento até as fronteiras meridionais da zona de segurança – disse Vitaly Manushko, porta-voz das forças de paz russas em torno da Ossétia do Sul, em declarações a jornalistas na localidade georgiana de Karaleti.
Ele disse que o "o trabalho vai continuar" com relação ao acesso da UE. Em visita a Tbilisi, o chefe da política externa na UE, Javier Solana, disse estar confiante na retirada russa das zonas-tampão até o dia 10 de outubro.
– Estou otimista de que todas as partes vão cumprir com o acordo que foi assinado – declarou.
A missão da UE na Geórgia minimizou o fato de não poder patrulhar a zona de segurança já a partir de 1º de outubro.
– As discussões técnicas são um processo em andamento – disse um funcionário, sob anonimato.
– A idéia nunca foi que os russos se retirassem completamente até 1o de outubro. Vamos lhes dar tempo para arrumar suas coisas e recuar. Nunca esperamos estar percorrendo a zona de segurança a partir do dia 1° – afirmou o funcionário, pedindo anonimato.
A Geórgia acusou a Rússia de "tentar prolongar o processo" e disse que na quarta-feira começará uma contagem regressiva para que os russos deixem o território incontestavelmente georgiano.
A UE diz esperar uma retirada russa "passo a passo" e um regresso simultâneo da polícia georgiana às zonas-tampão, para evitar que as milícias da região explorem a falta de segurança.
Moscou pretende manter permanentemente mais de 7.000 soldados na Ossétia do Sul e Abkházia, o dobro do que havia antes do conflito. Ainda não se sabe quando a missão da UE terá acesso a essas regiões.
A UE diz que seu mandato abrange todo o território da Geórgia. Mas Moscou diz que os monitores não podem agir dentro das regiões rebeldes, e que isso está de acordo com os termos da trégua.
A Geórgia acusou os russos de tentarem "aumentar o preço político da sua retirada".
– Eles farão de tudo que puderem para prolongar o processo – disse à Reuters Kakha Lomaia, secretário do Conselho de Segurança Nacional.
– O relógio começará a pulsar em 1° de outubro, e vai parar em 10 de outubro – acrescentou.
Rússia barra acesso da UE a parte da Geórgia
Os militares russos disseram nesta terça-feira que os monitores da União Européia não terão acesso imediato à "zona de segurança" estabelecida por Moscou dentro da Geórgia. Tbilisi reagiu acusando os russos de estarem protelando a desocupação prometida em agosto.(Leia Mais)
Terça, 30 de Setembro de 2008 às 07:29, por: CdB