Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Rússia ajudará a resolver conflito em Kosovo

Domingo, 21 de Março de 2004 às 12:01, por: CdB

O governo da Rússia ofereceu sua cooperação para ajudar a normalizar a situação em Kosovo, onde a violência dos albaneses contra os sérvios deixou cerca de 30 mortos e várias centenas de feridos.

A Rússia "está disposta a colaborar da maneira mais severa e ativa com seus sócios do Grupo de Contato e do Conselho de Segurança da ONU, assim como com a União Européia, para colocar fim o mais rápido possível à tragédia nos Balcãs", declarou na noite de ontem o Ministério russo de Assuntos Exteriores.

A declaração pública foi feita poucas horas depois de o presidente russo, Vladimir Putin, pedir uma "dura reação" à "limpeza étnica" perpetrada contra os sérvios em Kosovo. "A Rússia não pode permanecer impassível ante o que está ocorrendo ali (em Kosovo)", disse o número um do Kremlin numa reunião com o Estado Maior do Governo e os responsáveis de Defesa e Segurança do país.

O Ministério de Exteriores expressou a preocupação de Moscou com a situação criada nos Balcãs e ressaltou que a "violência provocada pelos extremistas desmascarou a política de limpeza étnica realizada contra a população não albanesa e, em particular, contra os sérvios de Kosovo".

O tom da declaração da diplomacia russa foi ditado ontem pelo próprio chefe do Kremlin, que disse que o que ocorre em Kosovo "não é outra coisa se não uma limpeza étnica, e deve haver uma reação dura, adequada, neste caso em defesa dos sérvios".

Moscou ressaltou a gravidade do problema dos refugiados que se somam às "dezenas de milhares de não albaneses já expulsos de Kosovo e que vivem em condições de grande precariedade".

O documento lembra também a penosa situação das centenas de milhares de sérvios que foram obrigados a abandonar outros países balcânicos no período da desintegração da antiga Iugoslávia. "Estas flagrantes violações dos direitos humanos ocorreram e ocorrem às vistas da 'Europa civilizada'", denunciou o Ministério de Exteriores.

A Rússia "mais de uma vez chamou a atenção sobre o perigo que representava semelhante desenvolvimento dos eventos, mas as tendências alarmantes nos últimos anos não receberam uma resposta adequada da presença internacional em Kosovo", acrescentou o documento.

As autoridades russas argumentaram que o simples aumento do número de efetivos dos contingentes da Otan é "insuficiente", em alusão aos 2.000 soldados que já chegaram ou chegarão a Kosovo nos próximos dias para reforçar a tropa multinacional Kfor, que contava com cerca de 17.500 efetivos nessa província.

Estas forças - destacou o Ministério russo de Exterior - "têm o dever de adotar as medidas mais severas para abafar os focos de violência e para defender a população civil". Na opinião de Moscou, a missão Unmik da ONU que administra Kosovo desde o fim da guerra, em junho de 1999, deve obrigar os líderes albano-kosovares a cumprir as exigências do Conselho de Segurança da ONU.

"Enquanto tais medidas não forem adotadas, enquanto não se conseguir frear os extremistas, não tem sentido falar do status político de Kosovo", assegurou a diplomacia russa.

Moscou pediu que o Conselho de Segurança da ONU insista no cumprimento de suas resoluções e a "chamar as coisas por seu nome". "Esperamos que nossos sócios das capitais ocidentais envolvidas na reestrutuação de Kosovo tirem conclusões dos fatos e concentrem seus esforços numa solução justa para problema de Kosovo, que é estratégico para Europa", concluiu a declaração.

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