Protesto no Cairo, capital do Egito, repudia intenção dos EUA de atacar a Síria
O governo da Rússia afirmou, nesta terça-feira, ter provas de que o ataque com armas químicas nos arredores de Damasco em 21 de agosto foi perpetrado pela oposição ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad, afirmou em Moscou o embaixador sírio no país, Riad Haddad.
– Todas as provas e dados mostram que foram precisamente os grupos armados (da oposição) que usaram armas químicas em Guta Oriental, perto de Damasco – disse Haddad, citado pela agência russa de notícias Interfax, em um discurso perante a câmara Pública russa, órgão consultivo do Kremlin.
O chefe da missão diplomática síria em Moscou explicou que a "Rússia apresentou provas com fotografias que mostram o lugar e hora na qual foi lançado o foguete contra Guta Oriental".
– Por acaso há alguém que acredita que o Governo da Síria possa usar armas químicas no momento em que uma comissão internacional começa seu trabalho e chega a Damasco a pedido da parte síria? – ressaltou o diplomata.
Haddad ressaltou que "a história com as armas químicas surgiu justo no momento quando o exército sírio começou a ganhar batalhas em todas as zonas dos arredores de Damasco".
– A informação sobre ataques com armas químicas começou a se estender para frear o avanço das tropas governamentais sírias – acrescentou.
O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, reiterou nesta segunda-feira que as provas apresentadas pelos Estados Unidos sobre o suposto uso de armas químicas pelas tropas governamentais sírias não são concretas e não convenceram Moscou. No domingo, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou que seu país tem provas de que o regime sírio usou gás sarin no suposto ataque com armas químicas na periferia de Damasco em 21 de agosto.
A Síria prepara-se para ser atacada a qualquer momento por uma aliança militar liderada pelos Estados Unidos, depois que o presidente norte-americano Barack Obama anunciou que castigará com uma limitada ação armada o regime de Assad pelo uso de armas químicas contra a população civil, algo que Washington dá por feito.
Mísseis balísticos
Para deixar a situação ainda mais tensa no Oriente Médio, Israel testou um sistema antimísseis financiado pelos EUA no Mediterrâneo nesta terça-feira, sem qualquer aviso prévio, o que levou a uma detecção por parte da Rússia que colocou o mundo em alerta, uma vez que os Estados Unidos se preparam para uma possível ação militar na Síria. O lançamento ocorrido pela manhã foi noticiado primeiramente pela mídia russa, que citou autoridades do Ministério da Defesa dizendo que dois "objetos" balísticos tinham sido lançados do centro do Mediterrâneo para o leste do mar – praticamente na direção da Síria.
A notícia abalou os mercados financeiros até que o Ministério da Defesa de Israel anunciou ter feito, junto com o Pentágono, um teste do míssil Sparrow. O Sparrow, que simula os mísseis de longo alcance da Síria e do Irã, é usado para exercícios com alvos para o sistema antimísseis israelense Arrow, apoiado pelos EUA.
– Israel rotineiramente lança mísseis ou drones (aeronaves não tripuladas) para testar sua própria capacidade de defesa balística – disse uma fonte norte-americana em Washington.
Navios de países ocidentais têm se posicionado no Mediterrâneo e no mar Vermelho desde um ataque em 21 de agosto com armas químicas que matou centenas de civis na Síria. Os EUA acusam o presidente sírio, Bashar al-Assad, de responsabilidade pelo uso de gás venenoso na guerra civil que já dura dois anos e meio.
O governo sírio nega responsabilidade pelo incidente. O presidente dos EUA, Barack Obama, deve ordenar em breve um ataque à Síria em represália pelo uso de armas químicas, mas aguarda primeiro o apoio de parlamentares norte-americanos.
O ministro da Defesa israelense, Moshe Yaalon, minimizou uma pergunta de repórteres sobre se o lançamento não teria ocorrido num momento inoportuno. Ele disse que Israel tem que trabalhar para manter sua vantagem militar e "isso implica testes de campo e, consequentemente, um teste bem-sucedido foi realizado para testar os nossos sistemas. E vamos continuar a desenvolver e a pesquisar e a equipar as Forças de Defesa de Israel com os melhores sistemas do mundo."
O Ministério da Defesa israelense disse ter realizado o disparo às 9h15 (3h15 em Brasília), aproximadamente a mesma hora em que o radar russo detectou o lançamento.
– A trajetória desses objetos vai da parte central do mar Mediterrâneo na direção da parte leste da costa do Mediterrâneo – disse um porta-voz do ministério russo da Defesa à agência Interfax.
O porta-voz disse que o lançamento foi detectado por uma estação de radar em Armavir, perto do mar Negro, capaz de observar lançamentos feitos numa área que vai da Europa ao Irã. A Rússia se opõe a uma intervenção militar externa na guerra civil síria, e um funcionário do Ministério da Defesa havia anteriormente criticado os Estados Unidos por mobilizarem navios militares no Mediterrâneo, perto da costa síria.
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