O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, fará um depoimento sobre o escândalo da tortura de prisioneiros iraquianos numa audiência pública marcada para esta sexta-feira, informou o chefe do Comitê de Serviços Armados do Senado, John Warner.
O senador disse que Rumsfeld vai comparecer durante duas horas perante ao comitê e depois terá uma audiência fechada com todo o Senado. Warner, um senador republicano, assim como o presidente George W. Bush, classificou as acusações de maus-tratos por parte de soldados norte-americanos como "uma desobediência pavorosa e totalmente inaceitável das regras militares".
Ele disse que Rumsfeld e outros civis que controlam as Forças Armadas "têm a responsabilidade final pelas ações dos homens e mulheres de uniforme".
Warner afirmou ainda mais que os casos de maus-tratos de prisioneiros iraquianos têm de ser esclarecidos, "não interessa o quão embaraçosos sejam", para que os Estados Unidos possam dar garantias ao mundo de que não se repetirão.
Assessores do comitê disseram que Rumsfeld não encontrará solidariedade entre os senadores.
"Ele vai estar no centro do fogo, não há dúvida", disse um assessor.
Em entrevistas concedidas a duas emissoras de TV de língua árabe, o presidente Bush prometeu que os responsáveis pelos abusos serão punidos.
Para o senador Joseph Biden, um democrata de Delaware especialista em relações exteriores, se a responsabilidade chegar até o gabinete de Rumsfeld, ele deve deixar o cargo.
Mas um assessor de um republicano do comitê do Senado disse duvidar que Rumsfeld saia do Departamento de Defesa antes das eleições presidenciais, em novembro. "Minha impressão é que eles não vão desmanchar a equipe de segurança nacional tão perto da eleição", disse a fonte.